Os zoroastrianos

Esta é a quarta conversa da nossa primeira memória, sobre o fanatismo, dedicada ao filósofo medieval Al Farabi.

Provavelmente Zaratustra não se terá pensado a si mesmo como o fundador de uma religião, mas mais como o sistematizador e simplificador de crenças antigas dos seus povos das estepes. Durante uma fase da sua vida, Zaratustra tentou persuadir os seus conterrâneos na sua aldeia das suas ideias mais sistemáticas sobre as crenças que todos partilhavam, mas só conseguiu converter o seu primo. Passado alguns anos, Zaratustra decidiu mudar de aldeia e aliar-se a um chefe que aceitou as suas ideias como religião “oficial” e as espalhou através das suas conquistas.

Assim as crenças antigas, que atribuíam almas ou espíritos divinos aos elementos como o fogo e a água, foram integradas num sistema praticamente monoteísta no qual uma única inteligência cósmica criadora, o deus Ahura Mazda ou Senhor da Sabedoria, que criara ou ordenara o mundo e nele mantinha o espírito vital do bem. Zaratustra resolveu o problema clássico — “se Deus é infinita e perfeitamente bom, por que existe o Mal?” — pressupondo a existência de um outro espírito maligno, um Diabo chamado Ahriman — que, não tendo sido causado pelo bom Ahura Mazda, foi ele causador do Mal. Ahura Mazda e Ahriman combatem no mundo e nas nossas vidas, mas não há entre eles uma equivalência hierárquica, pelo menos na versão original e dominante da religião.

Há um dualismo, mas um dualismo em que Deus (Ahura Mazda) não é bom e mau em simultâneo, mas unicamente bom e superior, ao passo que Ahriman é mau e inferior. A vida do crente zoroastriano consiste em pôr-se do lado do Senhor da Sabedoria, de acordo com uma ética feita de três princípios fundamentais que sobrevivem naquela religião até hoje: bons pensamentos, boas palavras e boas acções.

Esta é a quarta conversa da nossa primeira memória, sobre o fanatismo, dedicada ao filósofo medieval Al Farabi.

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