PSD pede ao Estado que pague já as dívidas aos fornecedores

Presidente do conselho estratégico nacional assume apoio do PSD ao Governo “informalmente” e no Parlamento.

Foto
Joaquim Miranda Sarmento está a trabalhar em medidas imediatas e a longo prazo para a recuperação da economia Miguel Manso

O PSD propõe que o Estado, a nível central, regional e local, pague as suas dívidas aos fornecedores “durante as próximas duas semanas” para ajudar a economia. A medida é de “elementar justiça” e “injecta liquidez nas empresas”, segundo Joaquim Miranda Sarmento, presidente do conselho estratégico nacional (CEN). Este órgão consultivo do PSD juntou um conjunto de economistas e de gestores para preparar medidas destinadas a “salvar” a economia, a dois ritmos: uma parte com cariz mais imediato e outra parte com uma natureza mais dilatada no tempo.

Num comunicado subscrito por Joaquim Miranda Sarmento, o PSD mostra preocupação com a saúde pública mas sublinha também a necessidade de “salvar a economia” como Rui Rio já tinha sublinhado esta quarta-feira. Nesse sentido, o presidente do CEN reafirma a postura construtiva do partido: “O PSD tem mantido contacto com o Governo, procurando apoiar as medidas tomadas, analisando-as e contribuindo com sugestões e propostas para a sua melhoria. O nosso objectivo é procurar mitigar os efeitos da paragem da actividade económica, contando o Governo com o apoio do PSD, quer informalmente, quer no Parlamento”.

Perante a “urgência” da situação, Joaquim Miranda Sarmento reclama que o Estado pague os cerca de “quatro a cinco mil milhões de euros de dívidas a fornecedores”, uma proposta de “fácil execução, de elementar justiça e de razoável eficácia” em relação aos objectivos de “curto prazo.

O economista social-democrata refere que se trata de “uma medida que injecta liquidez imediata nas empresas e não afecta o défice (dado que a despesa que deu origem a essa dívida a fornecedores, em contas nacionais, já foi registada)”. E, segundo Joaquim Miranda Sarmento, “é possível” do ponto de vista da “liquidez do Estado, usando os depósitos do IGCP (a chamada “almofada financeira” que serão cerca de 10 a 12 mil milhões de euros), e que pode ser reforçada ou através de um aumento das emissões de Bilhetes de Tesouro ou através de uma emissão de médio prazo de Obrigações do Tesouro”.

No mesmo comunicado, o presidente do CEN anuncia a criação de um grupo de economistas e de gestores (sem revelar nomes) que estão a trabalhar em dois planos: um mais imediato com medidas para “mitigar a crise de liquidez que se abate sobre as empresas nacionais” e outro, que será apresentado em Maio ou Junho, sobre um “programa de recuperação da economia”, quando os efeitos da covid-19 forem já mensuráveis.

Em ambos os casos, Joaquim Miranda Sarmento refere a necessidade de se encontrarem “soluções e respostas” ao nível dos “instrumentos europeus, como o Mecanismo Europeu de Estabilidade, o Banco Europeu de Investimentos o Banco Central Europeu”. 

Sugerir correcção
Ler 3 comentários