Presidente admite continuação do estado de emergência até 16 de Abril

Marcelo Rebelo de Sousa revelou um optimismo cauteloso com a evolução da curva de covid-19 em Portugal, por ter havido uma pequena descida do aumento de casos nas últimas 24 horas. E afirmou esperar “decisões rápidas e ambiciosas” do Conselho Europeu, mas vê a emissão de dívida conjunta europeia como uma “luta” ainda longe de ser ganha.

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Marcelo Rebelo de Sousa espera respostas rápidas e ambiciosas da UE LUSA/RODRIGO ANTUNES

O Presidente da República admitiu esta quinta-feira que o estado de emergência venha a ser renovado na próxima quarta-feira, podendo mesmo ser necessário acrescentar “um ou outro ponto”, se isso for considerado necessário “em diálogo com o Governo”.

“Temos de acompanhar a evolução da realidade”, disse Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém, depois de reunir por teleconferência com o bastonário da Ordem dos Médicos. “Na próxima terça-feira de manhã vamos ter uma nova reunião técnica com epidemiologistas e responsáveis políticos”, revelou o chefe de Estado, sublinhando que qualquer decisão será ponderada por si “em diálogo com o Governo e o parlamento”, que terá de aprovar essa renovação.

Sobre a conversa que teve com Miguel Guimarães, que estava no Hospital de São João, o Presidente da República afirmou que estiveram a analisar os números divulgados pela Direcção-Geral de Saúde e viu com algum optimismo a descida da percentagem do crescimento da doença em Portugal.

“Temos de dizer isto com cuidado, só nos próximos dias veremos se é uma constante ou não”, afirmou. Mas sustentou que, com o crescimento nos 15%, “a curva afastou-se da verificada noutros países”, admitindo que esse abrandamento pode resultar já das primeiras medidas tomadas, em particular do fecho das escolas a 16 de Março.

Marcelo considerou também como muito positivo o facto de ter já havido resposta positiva de 5000 médicos dos sectores particular e social e de reformados ao desafio de se juntarem no combate à covid-19. E desvalorizou a carta que os três bastonários da saúde – médicos, enfermeiros e farmacêuticos – escreveram ao primeiro-ministro a alertar para a “escassez de equipamentos de protecção individual” e pedir um reforço da protecção dos profissionais de saúde. “Não considero que seja nem alarmista nem uma quebra de unidade, antes um contributo positivo para melhorar a resposta”, disse o Presidente.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou também espera “decisões rápidas e ambiciosas” do Conselho Europeu para fazer frente ao combate nas várias frentes - de saúde, económica e social -, mas vê a emissão de dívida conjunta europeia como uma “luta” ainda longe de ser ganha.

“Essa decisão precisa de unanimidade e há países que têm uma posição muito firme contra” os eurobonds, acrescentou, confessando que, tal como o Governo, não percebe a hesitação.