Folhetim colectivo junta 50 escritores de várias idades e géneros literários
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Folhetim colectivo junta 50 escritores de várias idades e géneros literários Paulo Pimenta

Bode Inspiratório junta escritores e artistas para escrever folhetim

Projecto junta escritores e artistas plásticos na criação de um folhetim colectivo, em tempos de pandemia. Lançar um livro e fazer uma exposição são hipóteses em cima da mesa.

O projecto Bode Inspiratório junta cerca de 50 escritores e propõe-se a lançar, todos os dias, um capítulo de um folhetim conjunto. O objectivo dos autores é ajudar os leitores a lidar com o isolamento social a que o novo coronavírus obrigou, através daquilo que sabem fazer melhor: escrever. 

A iniciativa consiste em publicar, todos os dias, ao meio-dia, textos inéditos e originais, de modo a criar uma narrativa colectiva. Os textos são publicados na página Bode Inspiratório, no Facebook, e divulgados pela plataforma digital Entre Vistas, onde são narrados por Paula Perfeito. São também partilhados no Instagram, em formato vídeo, narrados por Edite Queiroz.

Ana Margarida de Carvalho magicou a ideia e lançou o desafio a outros escritores, que se foram juntando, “independentemente das gerações e dos géneros”. A ideia, conta a escritora ao P3, “partiu da enorme ansiedade e vontade de tentar fazer alguma coisa para ajudar”.

A nível temático, Ana Margarida refere que “os escritores estão livres de fazerem o que quiserem, mas, sendo um folhetim, a ideia é [os textos] terem um fio condutor”. A escritora diz que a narrativa “já tomou caminhos muito inesperados, o que vai causar surpresa e suspense nos leitores”.

Aos capítulos que saem diariamente, juntam-se obras de alguns artistas plásticos que, “tal como os escritores, têm a agenda livre”. Assim, o Bode Inspiratório consegue uma união entre literatura e arte.

Cabe a Cristina Terra da Motta coordenar os artistas plásticos. A ideia é “ocupar o espaço livre com as obras”, que são colocadas como foto de capa do Facebook, a principal plataforma de divulgação. Para dar uma maior dinâmica e pertinência à publicação das obras, Cristina tenta alternar artistas de idades diferentes e mais ou menos conhecidos, tendo também em conta o conteúdo gráfico dos trabalhos.

Ana Margarida de Carvalho diz-se satisfeita com a adesão que o projecto está a ter. Começou por contactar alguns escritores da sua lista de contactos, mas a palavra passou — em três dias conseguiu juntar cerca de meia centena de autores. O mesmo aconteceu com Cristina, relativamente aos artistas plásticos.

Mário de Carvalho, Inês Pedrosa, Afonso Cruz, Ana Cristina Silva, Afonso Reis Cabral, Patrícia Reis e Helena Vasconcelos são alguns dos escritores que participam. Entre os artistas plásticos que aceitaram o desafio estão António Olaio, Ana Vidigal, Pedro Cabrita Reis, Manuel João Vieira e Marta Wengorovius.

A hipótese de lançar um livro, quando o isolamento acabar, está em cima da mesa, bem como a realização de uma exposição com as obras dos artistas plásticos. “Primeiro haverá uma grande festa entre nós, depois haverá um grande livro e, consequentemente, uma grande exposição”, refere Ana Margarida de Carvalho.