Pacientes obrigados a pagar no centro de rastreio após incêndio no hospital

Cerca de uma dezena de utentes deslocou-se ao centro de rastreio de Braga depois da interrupção dos testes que se iam realizar no hospital, face ao incêndio aí ocorrido. Chegados ao local, só podiam ser testados caso pagassem 100 euros. Centro de rastreio justifica-se com falta de código fornecido pela linha Saúde 24.

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LUSA/MIGUEL PEREIRA DA SILVA

Impossibilitados de confirmarem se estão ou não infectados com o novo coronavírus (SARS-CoV-2) no Hospital de Braga, em virtude do incêndio que deflagrou na ala psiquiátrica, os cerca de 10 pacientes com testes agendados para a manhã desta quarta-feira deslocaram-se da unidade de saúde, na zona nordeste da cidade, para o centro de rastreio drive thru instalado no Altice Forum Braga, na zona sul. Aí, disse ao PÚBLICO Margarida Araújo, de 26 anos, os pacientes esperaram pelo teste nos seus carros, até que, por volta das 13h00, o centro a cargo da empresa Unilabs e do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Braga os informou de que não o poderiam fazer.

“Vieram-nos dizer para irmos embora porque não podíamos fazer o teste. Para fazer agora o teste, só por via privada. Tinha de pagar 100 euros”, esclareceu. Além dos carros dos utentes com teste marcado no hospital, o local tinha ainda mais 10 carros, com pessoas que estavam a ser rastreadas, “possivelmente por via privada”, pagando a verba definida, acrescentou.

Margarida, que vive com o namorado, um dos casos confirmados de Covid-19 em Portugal desde domingo, ainda perguntou se poderia fazer o teste no momento, mas acabou por ir para casa sem confirmar ou não o seu receio de estar também infectada. Os sintomas que apresenta desde sexta-feira - febre, que entretanto já baixou, tosse, falta de olfacto e “muito cansaço”, com dores de cabeça e dores musculares – levaram-na a contactar a linha Saúde 24 e a garantir a marcação de um teste no Hospital de Braga para a manhã desta quarta-feira. Tinha o exame marcado para as 09h40 e chegou ao local às 09h30, mas teve de ser evacuada quando o incêndio começou a lavrar.

Os médicos, alegou Margarida Araújo, “reencaminharam” os pacientes para o centro de rastreio, tendo-lhes dito para explicarem o que acontecera no hospital e pedirem para fazer lá o teste. No entanto, o centro de rastreio comunicou a quem lá se deslocou que o “hospital não mandou fazer ali o teste”.

Contactado pelo PÚBLICO, o Hospital de Braga também negou ter reencaminhado os utentes para testes no centro de rastreio. A única indicação transmitida a quem ia ser testado, adiantou o gabinete de comunicação da unidade de saúde, foi a de aguardarem o contacto da ACES, entidade que coordena o centro de rastreio, quanto ao reagendamento dos testes. Os testes desta quarta-feira, bem como os de quinta, também suspensos, vão ser remarcados pelo ACES de Braga para o centro de rastreio, avançou a Rádio Universitária do Minho.

Já a recusa dos testes gratuitos no espaço instalado junto ao Altice Forum Braga, justificou ao PÚBLICO fonte da Unilabs, deveu-se ao facto de os utentes não terem o “código de referenciação” obtido a partir da linha Saúde 24. Qualquer utente que disponha desse “código” tem o direito a ser rastreado de forma gratuita em qualquer local, esclareceu ao PÚBLICO fonte da Autoridade Regional de Saúde do Norte.

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