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AGIT, a app portuguesa para treinar em casa que reconhece os teus movimentos

Câmara do telemóvel recolhe e processa imagens dos exercícios para avaliar o nível de execução. Equipa responsável quis ajudar a combater “falta de actividade que a pandemia pode provocar”.

Para muitos, nesta época de distanciamento social, os dias passados em casa têm podido significar um período de reinvenção – parece, finalmente, haver tempo para devorar aquelas ficções que estavam a acumular pó nas prateleiras ou regressar ao instrumento encostado no canto da sala –, mas as horas atrás de horas dentro de quatro paredes podem trazer consigo o perigoso bichinho do sedentarismo. Acabaram-se, por exemplo, ainda que apenas de forma provisória, as idas ao ginásio ou as corridas matinais no parque. A aplicação AGIT, que monitoriza o exercício físico dos utilizadores com tecnologias de reconhecimento e fornece feedback em tempo real da sua actividade, tem uma solução para ajudar a resolver esse problema.

Esta é, no fundo, uma aplicação de fitness que quis “diferenciar-se das outras cinco mil que já existem no mercado”, explica ao P3, por telefone, Tiago Santos, mestre em Engenharia e Gestão Industrial pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e um dos criadores, a par de Tomás Albuquerque e Francisco Friande. “O problema das apps que simplesmente criam e disponibilizam um plano de treinos é que não têm como saber se ou de que maneira a pessoa fez os exercícios que lhe foram sugeridos”, assinala. “Nós quisemos mudar esse paradigma.”

A ideia dos responsáveis pela fundação da startup com o mesmo nome da aplicação foi, então, apostar no “reconhecimento da actividade humana”. Enquanto o utilizador faz as suas flexões ou séries de abdominais, a câmara do telemóvel recolhe e processa as imagens do exercício para avaliar o nível de execução. No ecrã, a pessoa vê um cronómetro, que deixa de correr apenas quando o objectivo da tarefa é atingido, e tem a possibilidade de acompanhar o crescimento do número de repetições que já conseguiu fazer. Isto porque, durante o processo de desenvolvimento, o sistema “aprendeu com o histórico de utilização”. “Se ele viu 30 formas diferentes de fazer um agachamento, ‘tomou nota’ do que é preciso acontecer para o movimento contar como bem feito”, revela Tiago Santos. “O algoritmo é tão mais eficaz e abrangente quanto mais genérico o tornarmos.”

PÚBLICO - "Desafio Quarentena" é o primeiro introduzido pela equipa. No futuro os criadores querem introduzir outros exercícios para "as pessoas poderem experimentar coisas novas"
"Desafio Quarentena" é o primeiro introduzido pela equipa. No futuro os criadores querem introduzir outros exercícios para "as pessoas poderem experimentar coisas novas" AGIT
PÚBLICO - Cada um pode ver como se saiu no desafio em comparação com as prestações de outros utilizadores
Cada um pode ver como se saiu no desafio em comparação com as prestações de outros utilizadores AGIT
PÚBLICO - A aplicação funciona por "reconhecimento da actividade humana": a câmara do telemóvel recolhe e processa as imagens do exercício para avaliar o nível de execução
A aplicação funciona por "reconhecimento da actividade humana": a câmara do telemóvel recolhe e processa as imagens do exercício para avaliar o nível de execução AGIT
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Este algoritmo começou a ser trabalhado há alguns meses, mas a equipa encontrou um ponto de partida para divulgar a aplicação depois de perceber que, com as medidas de contingência impostas pelo Governo português para fazer frente à propagação do novo coronavírus, “cada vez mais pessoas ficavam em casa e deixavam de ter os seus acessos habituais ao exercício físico”. É por isso que a AGIT preparou o “Desafio Quarentena”, concebido para “ajudar a combater essa falta de actividade que a pandemia pode provocar”. Essencialmente, este consiste em três séries de agachamentos, jumping jacks e lunges, cada uma com 40 repetições. “Quisemos brincar um bocadinho com a fonética de ‘quarentena’.” No fim, depois de contabilizado o tempo que foi necessário para atingir a meta, cada um pode ver como se saiu em comparação com as prestações de outros utilizadores. Um bocadinho de competição saudável para promover “o prazer pelo exercício” – e para “não se sentir tanto aquele isolamento”.

A aplicação – que, quatro dias depois do lançamento, ainda está “em fase de construção” – quer, dentro de uma ou duas semanas, introduzir novos desafios, para estimular “outros tipos de exercícios e as pessoas poderem experimentar coisas novas”. Também num futuro próximo, os criadores da AGIT pretendem reunir as funcionalidades necessárias para os utilizadores conseguirem consultar um registo de todos os seus resultados individuais. Assim poderão ver “se o tempo que investiram está a trazer resultados. Se, de repente, alguém percebe que fazia 50 repetições em quatro minutos e agora faz 50 repetições em três, é sinal de que deve estar a melhorar”, destaca o antigo aluno da FEUP. “Mostrar essa evolução da pessoa motiva-a a continuar.”

Para já, o registo é simples: basta criar um perfil através da conta de Facebook ou Google (alternativamente, o utilizador pode fornecer um e-mail). Mais para a frente, apesar de não querer pedir muitos mais dados, a equipa vai perguntar o peso às pessoas. Isto para melhorar a precisão do “relatório generalista” que a AGIT formula no fim de cada exercício. “Depois das séries, nós divulgamos aproximadamente quantas calorias a pessoa gastou. Para as calcularmos em condições, precisamos de saber o peso”, sustenta Tiago Santos.

Para além do sistema que monitoriza e contabiliza o desempenho dos utilizadores, a AGIT conta ainda com um “feedback de voz”, que, no fundo, funciona como “um complemento” daquilo que aparece no ecrã. As pessoas têm ainda à disposição, no menu principal, pequenos vídeos que, como se fossem tutoriais, mostram as formas correctas de realizar os exercícios e explicam “como posicionar o telemóvel para conseguir identificar a actividade” — e ajuizar se foi bem executada.

Neste momento, a AGIT é gratuita e está disponível para Android. Tiago Santos refere que a equipa tem vontade de desenvolver uma versão iOS, mas admite que tal não deverá acontecer a curto prazo.

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