Facebook luta para travar publicidade proibida sobre covid-19, com menos moderadores

Ainda circulam notícias sobre máscaras respiratórias a desconto, mesmo com o Facebook a proibir publicidade aos produtos desde o começo de Março.

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O Facebook já removeu os anúncios encontrados pelo PÚBLICO Reuters/DADO RUVIC

Com cerca de 15 mil dos seus moderadores numa pausa de duas semanas devido à pandemia da covid-19, o Facebook depende mais dos seus sistemas de inteligência artificial para detectar conteúdo proibido na plataforma. Não tem sido fácil.

Desde o início de Março que o Facebook proíbe anúncios a máscaras médicas, géis e toalhitas desinfectantes, para evitar desinformação sobre o tema e preços inflacionados. Esta semana, no entanto, ainda se viam anúncios a máscaras médicas na rede. Ao pesquisar na biblioteca de anúncios do Facebook (criada para permitir mais transparência sobre os anúncios que circulam na rede social e quem os paga), o PÚBLICO encontrou vários anúncios a máscaras médicas na plataforma de comércio electrónico Wish, a circular desde 25 de Fevereiro em Portugal.

A rede social desactivou os anúncios após ser contactado pelo PÚBLICO, mas optou por não comentar directamente a situação. A equipa do Facebook reforçou, no entanto, que apenas começou a “impor a política recentemente” e que os utilizadores devem denunciar qualquer conteúdo que encontrem a violar a política da aplicação. Isto pode ser feito ao carregar no ícone com três pontos (no canto superior de qualquer publicação) e escolher a opção “denunciar anúncio”. 

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Alguns dos anúncios a circular em Portugal

O PÚBLICO tentou contactar a equipa da Wish mas não obteve resposta até à hora de publicação deste artigo.

Menos moderadores

Desde o passado dia 19 de Março que os prestadores de serviço do Facebook que trabalham na moderação da rede social estão em casa em licença de trabalho paga. “Tomámos várias precauções para proteger os nossos trabalhadores, ao reduzir o número de pessoas em qualquer um dos nossos escritórios e recomendar que as nossas equipas trabalhem de casa”, lê-se no comunicado de dia 19. “Todos os nossos prestadores de serviços que fazem moderação de serviços serão enviados para casa, até novas informações. Vamos garantir que continuem a ser pagos.”

Com a medida, o Facebook depende mais de algoritmos com inteligência artificial para detectar imagens e expressões associadas a conteúdo proibido. Com algumas estratégias (por exemplo, ao perceber as palavras-chave que um algoritmo procura ou alterar ligeiramente algumas imagens e vídeos), é possível escapar à moderação. 

Ao mesmo tempo, o número de utilizadores nas plataformas da família Facebook (que incluem o WhatsApp, o Messenger e o Instagram) tem vindo a aumentar. Numa conferência virtual em que participaram vários jornalistas, Mark Zuckerberg admitiu que as chamadas feitas através dos serviços de mensagens mais que duplicaram, indo além dos valores que a empresa costuma ver durante o Ano Novo. 

Com menos trabalhadores disponíveis (e aqueles que estão a trabalhar, num ambiente diferente, longe do escritório) uma das estratégias da rede social foi criar um centro informação sobre a covid-19. Surge no topo do resultado dos utilizadores quando estes fazem uma pesquisa associada ao novo coronavírus. O objectivo é evitar que os utilizadores se deixem enganar por desinformação a circular sobre a pandemia, ao oferecer informação de fontes oficiais como a Organização Mundial da Saúde (OMS).