Número de compras com multibanco cai para quase metade

Menos idas às compras, não compensadas pela subida do valor gasto em cada operação, e queda a pique das vendas a estrangeiros. Os números do multibanco mostram os efeitos do coronavírus no consumo.

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daniel rocha

O número de operações de compra de bens realizada utilizando a rede do multibanco caiu, durante a semana passada, para praticamente metade do valor registado semanalmente antes do início da crise trazida pelo novo coronavírus.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira pela SIBS e confirmam a quebra acentuada no consumo que se está a verificar em Portugal nas últimas semanas, à medida que as pessoas limitam os seus movimentos e muitas lojas fecham.

De acordo com a SIBS, o número de compras na rede multibanco foi, durante a semana passada, 44% mais baixo do que na última semana antes do início da crise. A compensar este resultado, o montante médio de cada compra foi mais elevado, já que as pessoas aproveitam cada ida ao exterior para fazer o máximo de compras possível. O valor médio de cada compra passou de 34,7 euros antes da crise para 42,1 euros na semana passada. 

Ainda assim, levando em conta a queda do número de compras e a subida do seu valor médio, o montante total de compras efectuada regista uma diminuição acentuada de 32%, um sinal claro do que pode estar a acontecer à evolução do consumo privado em Portugal neste período.

A SIBS revela ainda que, nas compras efectuadas, o peso das aquisições dos denominados bens essenciais subiu de forma significativa. As compras efectuadas em supermercados e farmácias passaram a ter um peso de 54% no total, quando antes da crise este indicador não passava dos 39,4%.

Os números agora publicados mostram ainda aquilo que está a acontecer ao turismo. O número de compras feitas por estrangeiros em Portugal utilizando a rede multibanco caiu, na semana passada, 69% face à última semana antes da crise.

Outro dado revelador da quebra de movimentos de dinheiro em Portugal é o relativo aos levantamentos efectuados na rede multibanco, cujo número recuou 49% na semana passada. O montante médio de cada levantamento subiu de 67,8 euros para 84,5 euros, o que não impede que no total o valor dos levantamentos efectuados tenha caído 36,4%. 

Os sinais de redução do consumo não surpreendem tendo em conta a limitação de movimentos a que estão sujeitos os portugueses e ao facto de muitas lojas terem fechado as suas portas. O impacto na actividade económica é inevitável. Algumas previsões já realizadas apontam para perdas importantes. Francesco Franco, um economista da Nova SBE, calcula que a economia portuguesa pode perder mensalmente um valor que pode chegar aos 4000 milhões de euros. Nuno Fernandes, professor de Finanças no IESE, calcula por seu lado que o impacto negativo no PIB pode, mesmo num cenário em que as medidas de contenção duram apenas um mês e meio, ser de 4,5% em 2020. Já a Universidade Católica traça cenários que vão de descidas do PIB de 4% até colapsos de 10%, caso a crise se prolongue.