Estão a chegar centenas de pedidos à nova Rede de Emergência Alimentar

Muitas instituições de solidariedade social encerraram as portas e as pessoas mais carenciadas viram-se sem apoio. Rede organiza-se para dar alimentos e refeições às famílias.

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Uma das campanhas do Banco Alimentar antes da crise do coronavírus Enric Vives-Rubio

No momento em que Isabel Jonet, a presidente da Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome, fala com o PÚBLICO ao telefone, os pedidos de ajuda recebidos no site da instituição não param de aumentar. Atingem, no momento em que desligamos, os 560, para a nova Rede de Emergência Alimentar, lançada na sexta-feira, dia 20, para dar resposta à crise criada pelo surto de covid-19. A Rede apresenta-se como “uma resposta limitada no tempo até estar ultrapassada a situação de emergência em que o país vive”.

Ainda é cedo para ter dados exactos, mas Isabel Jonet admite que talvez metade das instituições de solidariedade social com as quais o Banco Alimentar costuma trabalhar (num total de 2600, entre creches, centros de dia) tenham fechado as portas nos últimos dias, deixando um número muito grande de beneficiários sem qualquer apoio.

“Em muitos casos, a rede de distribuição alimentar às famílias foi completamente interrompida, até porque é uma rede garantida em geral por pessoas mais velhas e que teve que se proteger a si própria”, explica. Houve situações em que os beneficiários foram buscar a sua refeição e encontraram a porta da instituição fechada, algumas com o aviso de que devido ao surto de covid-19 tinham sido obrigados a suspender a operação. Jonet lembra que em tempos normais, os Bancos Alimentares já apoiam “420 mil pessoas, ou seja, 4% da população portuguesa”.

“Estamos a receber pedidos de pessoas que já tinham remunerações muito baixas e que foram para casa, com crianças para alimentar. Muitas descrevem-nos situações completamente dramáticas”, diz Jonet. “Há pessoas que estavam a fazer formação com o Instituto de Formação Profissional e que, por isso, não recebiam subsídio de desemprego. Como as formações foram interrompidas, deixaram de receber o apoio, e também não têm direito ao subsídio.”

A Rede de Emergência – que funciona através do site do Banco Alimentar – pretende que em todas as freguesias do país haja, em conjunto com as instituições que permanecem abertas, uma resposta e, acima de tudo, que “as pessoas não passem fome”. Os que puderem deslocar-se vão buscar os alimentos à instituição mais próxima da sua casa; para quem não o puder fazer, existe uma rede de voluntários, articulada com outras iniciativas como o Vizinho Amigo, que levará a casa das pessoas refeições já preparadas.

No Algarve, o chef Rui Silvestre, do restaurante Vistas, e Noélia, do Noélia e Jerónimo, já estão a preparar nos respectivos espaços refeições “de tacho” para poderem ser distribuídas, usando produtos fornecidos pela Makro, que se juntou à ideia lançada por Rui Silvestre e que se pretende que seja espalhada por todo o país.

E de que precisa a Rede de Emergência Alimentar? “Para já vamos precisar de produtos”, alerta Isabel Jonet. “Estamos a contar com o contributo das cadeias de distribuição e da indústria”. Os particulares também podem ajudar através do site. “Estamos a abrir o alimentestaideia.pt para que as pessoas possam fazer doações para a Rede”.

Estão também a ser mobilizados voluntários para levar a comida às instituições que depois a entregarão às famílias. Os voluntários habituais da Bolsa de Voluntariado estão a ser transferidos para a Rede e, no momento em que Isabel Jonet verifica os números, há, desde sexta-feira, 175 novas pessoas a declararem-se disponíveis (algumas com limitações de horário por estarem em teletrabalho). São necessárias pessoas para todo o país, de preferência com carro. A Rede assegura que os voluntários farão o seu trabalho sempre “devidamente protegidos”.

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