Coronavírus: Trump acciona Guarda Nacional, mas rejeita intervenção no sector privado

Governadores dos estados mais afectados pedem à Casa Branca que invoque a Lei de Defesa da Produção para que as empresas privadas seja postas a fabricar máscaras e ventiladores para uso público.

A Guarda Nacional vai ajudar os estados de Nova Iorque, Califórnia e Washington
Foto
A Guarda Nacional vai ajudar os estados de Nova Iorque, Califórnia e Washington Reuters/JONATHAN ERNST

O aumento do número de mortes por coronavírus nos Estados Unidos levou os governadores dos estados mais afectados, como Nova Iorque, Califórnia e Washington, a pedirem a ajuda directa da Casa Branca para enfrentarem a crescente escassez de máscaras e ventiladores. No domingo, o Presidente norte-americano, Donald Trump, autorizou o recurso à Guarda Nacional sem custos para esses estados, mas deixou claro que não está nos seus planos ordenar empresas privadas a fabricar equipamento de combate à pandemia.

O envolvimento das unidades da Guarda Nacional no combate ao coronavírus vai ser pago com verbas da agência federal de resposta a emergências, a FEMA, anunciou Trump numa conferência de imprensa na noite de domingo.

Nas últimas horas, o número de casos de coronavírus nos Estados Unidos ultrapassou os 35 mil, com 458 mortes registadas.

Os estados com mais casos e mortes são Nova Iorque (16.900/150), Washington (1996/95) e Califórnia (1802/35). Outros dos estados mais afectados são Nova Jérsia (1914/21), Louisiana (837/20) e Georgia (620/25).

Devido ao aumento do número de casos, o governador da Califórnia já disse aos hospitais para limitarem os testes à população e em Washington a situação é ainda mais complicada: as reservas de equipamento de protecção do governo federal vão ser usadas apenas nas regiões mais afectadas, e pelo menos um hospital fez saber que pode ficar sem ventiladores no início de Abril.

Para fazer face à escassez de equipamento, os governadores dos estados mais afectados e outros responsáveis ligados ao Partido Democrata têm exigido ao Presidente Trump que accione as cláusulas mais drásticas da Lei de Defesa da Produção – uma lei aprovada durante a Guerra da Coreia, há 70 anos, e reforçada após os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos.

De acordo com essa lei – que foi sendo renovada e está em vigor, pelo menos, até 2025 –, o Presidente pode ordenar as empresas privadas a mudarem os seus planos para ajudarem no combate a uma ameaça externa. Durante a Guerra da Coreia, o sector privado ajudou a fabricar armamento militar, e nos atentados do 11 de Setembro esse esforço centrou-se no fabrico de material de saúde e segurança.

Com a ameaça do coronavírus, a Casa Branca está a ser pressionada para invocar a lei e pôr empresas privadas a produzir máscaras, ventiladores e outro equipamento essencial para uso público, e não como parte dos respectivos planos originais para venda aos valores do mercado.

Na conferência de imprensa de domingo, o Presidente Trump comparou essa possibilidade – que seria provisória e passível de contestação nos tribunais – à nacionalização do sector privado em países como a Venezuela.

“Falem com as pessoas na Venezuela”, disse Trump. “Perguntem-lhes como correu a nacionalização dos seus negócios. Não correu muito bem. O conceito de nacionalização das nossas empresas não é um bom conceito.”