Coronavírus: Senado norte-americano sem acordo para estímulo à economia

Montante histórico equivalente a 10% do Produto Interno Bruto do país está em discussão no Senado. Democratas acusam republicanos de prejudicarem trabalhadores e não controlarem as grandes empresas.

As discussões vão prosseguir no Senado
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As discussões vão prosseguir no Senado EPA/MICHAEL REYNOLDS

As profundas divisões na política dos Estados Unidos da América estão a bloquear a rápida aprovação de um gigantesco pacote de estímulos à economia para o combate ao surto de coronavírus no país. Um primeiro passo nesse sentido foi travado nas últimas horas no Senado norte-americano, por entre acusações do Partido Democrata de que a proposta do Partido Republicano faz pouco para proteger os trabalhadores e não restringe a actuação das empresas que vão receber apoios do Estado.

A votação de domingo tinha apenas como finalidade ultrapassar um primeiro obstáculo na longa lista de procedimentos parlamentares obrigatórios antes da votação final, mas é um forte sinal de que o compromisso está longe de ser alcançado.

Com 47 votos a favor, do Partido Republicano, e 47 votos contra, do Partido Democrata, o histórico pacote de estímulos à economia apoiado pela Casa Branca vai continuar a ser discutido à porta fechada nas próximas horas ou dias.

Na semana passada, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a ajuda à economia poderia começar a chegar ao destino ainda esta semana, mas o impasse das últimas horas indica que as divisões são ainda mais profundas do que se pensava.

No total, a proposta põe de parte quase dois biliões de dólares (trillions no original, o equivalente a 1,8 biliões de euros) para enfrentar as consequências económicas do surto de coronavírus no país. É o maior plano alguma vez aprovado na história dos Estados Unidos e representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto do país.

E até no acto da votação de domingo se fez sentir os efeitos da pandemia de coronavírus. Na bancada do Partido Republicano, mais dois senadores tiveram de falhar os trabalhos, por precaução, depois de o senador Rand Paul ter sido diagnosticado com a covid-19, no domingo.

No final, a votação foi de 47-47, muito distante do mínimo de 60 votos para a aprovação da proposta.

“Isto é irresponsável e imprudente”, disse a senadora Susan Collins, do Partido Republicano. “Eles estão a brincar com o fogo”, disse Collins, sugerindo que os eleitores vão culpar o Partido Democrata pelos entraves.

Ainda assim, o líder da minoria dos democratas no Senado, o senador Chuck Schumer, disse que as duas partes “estão mais perto de um acordo do que alguma vez estiveram nas últimas 48 horas” – o que, no actual ambiente de divisão, pode significar tudo e nada.

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