Coronavírus: exército espanhol encontra cadáveres de idosos em inspecções a lares

Ministra da Defesa promete castigo “implacável e esmagador” para situações de abandono e negligência contra idosos.

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A Unidade Militar de Emergência visita um lar em Madrid Reuters/SUSANA VERA

“O Exército encontrou idosos absolutamente abandonados — quando não estavam mortos — nas suas camas”, revelou, esta segunda-feira, a ministra da Defesa espanhola Margarita Robles, em declarações no Programa de Ana Rosa, da Telecinco. A ministra promete que o Governo será “implacável e esmagador” na punição de situações de negligência e abandono contra o grupo de maior risco: “Todo o peso da lei irá cair sobre aqueles que não cumprirem suas obrigações.”

Os últimos dados das autoridades de saúde espanholas apontam para 33.089 casos de infecção confirmados e 2182 mortes.

A Unidade Militar de Emergência (UME) realiza trabalhos de socorro em Madrid desde o fim-de-semana passado, procurando ajudar a conter a rápida subida de casos confirmados de covid-19. As funções desta unidade prendem-se, sobretudo, com trabalhos de desinfecção na via pública, mas o Governo concedeu autorização ao exército para fazer vistorias preventivas nas residências e lares de idosos. 

Foi nestas inspecções que os militares encontraram os cadáveres. Os lares foram um dos locais mais atingidos pelo coronavírus em Espanha. Citados pelo El País, os responsáveis do Instituto de Idosos e Serviços Sociais dizem que a maior parte das residências está a funcionar bem, mesmo com a falta de equipamentos de protecção de pessoal e trabalhadores. Muitos funcionários destes lares foram afectados directamente pelo vírus, necessitando de permanecer isolados em quarentena.

Em caso de suspeita de infecção pelo coronavírus, o cadáver não deve ser tocado até que os funcionários de saúde cheguem ao local, segundo as instruções. O El País escreve que, devido ao colapso dos serviços fúnebres em Madrid, os corpos não estão a ser recolhidos nas primeiras 24 horas após o óbito. O ministro da Saúde, Salvador Illa, garantiu que os lares são “uma prioridade para o Governo”, prometendo “controlo máximo” do exército nestes locais.

Com o aumento do número de vítimas, o centro comercial Palácio do Gelo, em Madrid, ofereceu a pista de gelo de tamanho olímpico — 1800 metros quadrados — para servir de morgue, noticia a Reuters. A reconversão deste espaço será feita pelas autoridades regionais e unidades de emergência militares. A casa funerária municipal de Madrid anunciou que deixará de recolher cadáveres a partir de terça-feira por falta de equipamento.

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