O tempo pede tempo. A informação é a melhor prevenção

Entre tanta notícia, história do amigo que tem um amigo médico ou recomendação do que devemos fazer, permitam-me deixar o repto para nos tornarmos agentes de saúde pública.

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Paulo Pimenta

Um vírus lá longe, uma curiosidade científica, uma ameaça local e global, uma epidemia, uma pandemia. A velocidade a que tudo isto aconteceu é a mesma velocidade com que recebemos, todos os dias, nova informação sobre a covid-19.

Vivemos tempos raros — e não, ninguém estava preparado. O tempo configura-se como o maior inimigo, urge torná-lo o maior aliado. Dar tempo ao tempo para que, na avalanche noticiosa que nos invade todos os dias, sejamos capazes de não ir na espuma dos dias e da cultura do medo.

António Guterres, secretário-geral da ONU, lembrou-nos e bem que “é tempo de prudência, não de pânico. De ciência, não de estigma. De factos, não de medo”

E este tempo vai mesmo ter que esperar o tempo que for preciso para que voltemos ao que consideramos normalidade. Até lá, muitos desafios se aproximam, e só cada dia nos vai dizer que desafios são esses. O desafio diário, e um dos maiores, que todos temos neste momento é mantermo-nos informados, da melhor forma e pelas melhores fontes. A informação é a nossa melhor prevenção.

O novo coronavírus entra-nos em casa sem pedir licença, pela televisão, pelo feed das redes sociais, pelas mensagens de WhatsApp e por qualquer videochamada que fazemos para aguentar o isolamento. Existem muitas perguntas sem respostas, e notícias que a cada instante mudam o que era antes.

Estão criadas as condições para o pânico social e torna-se cada vez mais difícil confiar na informação ou nas decisões e indicações que recebemos. Os cientistas procuram, de um modo que não tem precedentes, responder a todas as questões que são precisas resolver para combater este vírus. Apesar da velocidade nunca antes vista, o tempo continua a pedir tempo.

Há um grande número de questões que não podem ignorar o conhecimento científico para a sua resolução, a propagação de epidemias é indubitavelmente uma delas. Exigem cooperação internacional e as decisões políticas não podem deixar de contemplar os factos científicos. A nós, que estamos em casa, o tempo pede-nos que confiemos nas organizações.

Entre tanta notícia, história do amigo que tem um amigo médico ou recomendação do que devemos fazer, permitam-me deixar o repto para nos tornarmos agentes de saúde pública. 

Somos agentes de saúde pública ao questionar, investigar, ao escolher as melhores fontes de informação. Somos agentes de saúde pública ao mantermo-nos atentos à informação e ao não partilhar e propagar mensagens de fontes não oficiais. Somos agentes de saúde pública ao consultar os meios de informações oficiais como a OMS e DGS, e sempre que algum dos nossos tem dúvidas partilhar com eles a informação fidedigna.

O tempo pede tempo. E enquanto perguntamos, dia a dia, quanto tempo o tempo pode ter, depende de todos travar a epidemia da desinformação. Depende de todos travar a covid-19.