Metade das compras das famílias são em bens essenciais e farmácias

Dados da SIBS indicam que cerca de 50% das compras dos portugueses foram feitas em supermercados e farmácias na semana passada.

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Andreia Patriarca

A partir do momento em que foram conhecidos casos da covid-19 em Portugal, a preocupação dos portugueses foi encher as dispensas e comprar máscaras e gel para desinfectar as mãos. 

De acordo com os dados divulgados esta quarta-feira pela SIBS (a empresa que é dona da rede Multibanco), desde que foi divulgada a existência de doentes infectados com o novo coronavírus (a 2 de Março), “houve uma concentração de compras” em supermercados e hipermercados e em farmácias e parafarmácias. 

O movimento acentuou-se na semana de 9 a 15 de Março (a semana que passou), em que já havia a expectativa de que as escolas estariam à beira do encerramento e que o teletrabalho era uma inevitabilidade.

As famílias voltaram a concentrar as suas compras em bens essenciais e nas farmácias e parafarmácias, que passaram a representar uma em cada duas compras - 49% do total, face aos 39,4% na semana terminada a 1 de Março, antes de haver confirmação de infectados, e aos 40,2% registados na semana terminada a 8, em que o número de casos começou a crescer.

Em paralelo, o valor de cada compra cresceu ligeiramente. Se o valor médio por operação antes do primeiro caso confirmado era de 34,7 euros, na semana passada (com 245 casos confirmados), ficou nos 37,4 euros.

Outra realidade verificada pela SIBS foi a da “utilização crescente” do MB Way, a solução que permite fazer pagamentos através do telemóvel e sem contacto com o terminal de pagamentos. 

O valor médio dos levantamentos também cresceu nestes últimos dias, ainda que o número de operações tenha diminuído, reflectindo talvez um receio de contágio e o facto de se terem começado a alterar os hábitos sociais, culminando com grande parte dos portugueses encerrados em casa e sem necessidade de andar com dinheiro na carteira.

Antes de serem conhecidos casos da covid-19 em Portugal, o valor médio dos levantamentos era de 67,8 euros. Passou a 69,6 euros na semana de 2 a 8 de Março e, entre 9 a 15 de Março, atingiu 74,8 euros. 

E se os portugueses no estrangeiro começaram também a gastar menos dinheiro nestas duas últimas semanas em que o novo coronavírus tomou conta da agenda mediática e transformou o modo de vida de boa parte das populações mundiais, o mesmo efeito foi visível com os estrangeiros em Portugal, em que o número de compras físicas caiu abruptamente, conclui a SIBS.

Contactada pelo PÚBLICO, a empresa optou por não revelar os montantes dos movimentos realizados na rede e que serviram de base a esta análise.