Funerais apenas com familiares directos e sem cortejos fúnebres nem missa

Cerimónias fúnebres são abertas apenas aos familiares directos e o velório fica limitado ao dia do enterro.

A partir de agora, só os familiares directos podem velar o morto e apenas no dia do enterro
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A partir de agora, só os familiares directos podem velar o morto e apenas no dia do enterro Paulo Pimenta (arquivo)

Os funerais passarão a ser feitos apenas com familiares directos, segundo as orientações da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). Depois da suspensão das missas com a presença dos fiéis, a Igreja Católica emitiu orientações para que, durante a actual situação de pandemia, as diferentes dioceses reservem um espaço para velar o morto, mas apenas no dia em que este vai a enterrar, e sem o habitual cortejo fúnebre.

De acordo com a mesma lógica de minimização dos riscos de contágio, os enterros passarão a fazer-se sem missa, cuja celebração foi, de resto, suspensa em todo o território enquanto durar a actual situação de isolamento social. No caso de rituais como os baptismos e casamentos, a sugestão da CEP é que sejam adiados.

Estas orientações relativamente aos funerais vêm ao encontro do apelo que fora lançado na passada semana pelo presidente da Associação Nacional de Freguesias, Jorge Veloso, que pedira esclarecimentos quanto à forma de celebração daquele ritual, dada a correspondente concentração de pessoas que exponencia o risco de contágio.

A preocupação justifica-se. No início de Março, em Vitória, no País Basco, em Espanha, um funeral transformou-se no maior episódio de propagação do novo coronavírus: 60 pessoas que participaram na cerimónia fúnebre foram infectadas, segundo as autoridades sanitárias locais.

Por cá, e segundo adiantou ao PÚBLICO Vítor Teixeira, da Associação dos Agentes Funerários de Portugal, “as famílias estão a tomar consciência da gravidade da situação e, de há quatro ou cinco dias para cá, os velórios já estão a ser muito curtos, e apenas com familiares directos e amigos mais íntimos”. “Claro que o ideal era evitar qualquer tipo de aglomerado, mesmo que de pequena dimensão, mas as pessoas, até porque estão com medo, vão-se mantendo serenas e distantes”, diz aquele responsável, para acrescentar que actualmente as agências funerárias já estão a pedir aos familiares que, ao comunicarem o falecimento, digam desde logo que prescidem da presença das pessoas “porque a saúde pública deve estar acima de tudo”.

Noutros países afectados, como a Irlanda, as orientações são semelhantes. A Conferência Episcopal Irlandesa desaconselhou a presença em funerais, a não ser a dos familiares directos, bem como a troça de abraços ou apertos de mão. “Quando esta crise passar, poderão organizar-se outras cerimónias para os que não puderam estar presentes. Até lá, as tecnologias podem ajudar as pessoas a ficar mais próximas”, lembraram os bispos irlandeses, numa nota que terá procurado apaziguar a indignação provocada pelo facto de a associação que representa as agências funerárias no país ter defendido que todos os serviços fúnebres deveriam ser adiados e os mortos levados directamente do local da morte para o crematório ou para o cemitério, sempre dentro de um saco indicado para o efeito que não deveria, em circunstância nenhuma, ser aberto. Quanto aos familiares, o máximo que lhes seria permitido seria dar instruções telefónicas às agências funerárias.

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