Coronavírus: hotéis e alojamentos locais cedem mais de 180 quartos para profissionais de saúde no Porto

Medida visa permitir que médicos e enfermeiros possam “encurtar as deslocações” e evitar riscos de contágio das suas famílias. Autarquia adianta que mais quartos podem vir a ser disponibilizados.

,Pandemia de coronavírus 2020 na Itália
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Já há mais de 300 infectados em Portugal. Reuters/FLAVIO LO SCALZO

Vários hotéis e alojamentos locais da cidade do Porto estão a disponibilizar quartos “de forma espontânea” para profissionais de saúde perto do seu local de trabalho. Uma medida pensada para que estes consigam “encurtar as deslocações” e reduzir os riscos de contágio do novo coronavírus.

“Muitos profissionais do sector da saúde não querem arriscar o contágio de ou às suas famílias e preferem não regressar a casa após um dia de trabalho”, pode ler-se no comunicado divulgado hoje pela câmara. Segundo a autarquia, são já mais de 180 os quartos deixados à disposição de médicos, enfermeiros e outros funcionários em centros de saúde ou hospitais, e, adianta-se, “muitos mais poderão ser usados”.

Este processo, coordenado pela Câmara do Porto e realizado em articulação com as diferentes administrações hospitalares interessadas, surge depois de, no sábado, se anunciar que Rui Moreira tinha conseguido fazer a ponte entre o Hospital de São João e a fábrica na cidade chinesa de Shenzhen de onde virão novos ventiladores.

No comunicado oficial, a câmara avança ainda que “não têm sido apenas os empresários do sector do turismo a mostrar disponibilidade e um elevado sentido cívico neste momento de emergência”, apontando para o trabalho levado a cabo pelas “grandes empresas da cidade”, que têm ajudado a combater o surto de covid-19 “numa demonstração de solidariedade sem precedentes”.

Em Portugal, há mais de 50 médicos infectados com o novo coronavírus e cerca de 150 em quarentena. Este domingo, o Sindicato Independente dos Médicos apelou ao Governo para disponibilizar com urgência meios de protecção, nomeadamente máscaras protectoras, aos profissionais de saúde em Portugal. O presidente da organização, Roque da Cunha, alertou que “com médicos doentes dificilmente haverá capacidade de responder ao exponencial crescimento” da pandemia. Uma mensagem que surgiu depois de, no dia anterior, a ministra da Saúde, Marta Temido, reconhecer que algumas unidades hospitalares no país partiram para o combate ao surto com stocks baixos.

Hoje, a ministra da Saúde confirmou a primeira morte por covid-19 em Portugal. Trata-se de um homem com mais de 80 anos, que tinha outras doenças associadas e estava internado “há já vários dias” no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.