Um domingo sem missa? Com as igrejas vazias, os crentes reuniram-se online

Domingo é tipicamente dia de celebrar e recordar os ensinamentos de Cristo, partilhar experiências e estar em comunhão. Mas no combate à pandemia covid-19, muitas comunidades religiosas suspenderam as suas actividades.

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Um aviso, à porta da Igreja Paroquial de Fernão Ferro KP
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A Igreja Evangélica do Seixal deixou um aviso sobre um sessão de culto no zoom KP
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A Igreja Evangélica Congregacional de Paio Pires continuava aberta KP
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Um aviso à entrada da Igreja Evangélica Congregacional pede para se colocar álcool nas mãos KP
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A Igreja Evangélica Congregacional de Paio Pires continuava aberta KP
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À porta da Igreja Viva Assembleia de Deus Celebração, na Arrentela KP
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À porta da Igreja Viva Assembleia de Deus Celebração, na Arrentela KP

Às 11h30, meia hora antes do começo habitual da missa de domingo, a Rua da Igreja, em Fernão Ferro, Seixal, estava vazia. Não havia crianças no recinto do edifício a brincar no intervalo da catequese, nem conversas entre vizinhos à entrada. Os portões estavam fechados. “Informação covid-19”, lia-se na nota pendurada à entrada que avisava sobre o “encerramento da Igreja Paroquial de Fernão Ferro”.

A situação repetia-se nas outras igrejas católicas, evangélicas ou protestantes do concelho. Algumas, como a Igreja Evangélica do Seixal ou a Igreja Assembleia de Deus de Almada, tinham uma nota à porta a alertar para “serviços de culto pela Internet”, através de programas de videoconferência ou transmissões em directo a partir das redes sociais.

PÚBLICO - À entrada, uma nota pedia aos crentes para lavarem as mãos
À entrada, uma nota pedia aos crentes para lavarem as mãos
PÚBLICO - À entrada, uma nota pedia aos crentes para lavarem as mãos
À entrada, uma nota pedia aos crentes para lavarem as mãos
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Dos espaços que o PÚBLICO visitou, apenas a Igreja Evangélica Congregacional de Paio Pires continuava aberta. À entrada, havia um frasco de álcool e um papel com uma mensagem: “Amados irmãos, antes de entrar na igreja desinfecte as suas mãos com álcool.” No interior, muitas cadeiras vazias com 15 crentes — espalhados — a seguir um serviço presidido em espanhol e português. Alguns filmavam com o telemóvel. 

“Não fechámos, mas pedimos às pessoas mais idosas ou com condições preexistentes para ficarem em casa. Normalmente, somos 70 ao domingo”, disse ao PÚBLICO Lúcia Maria da Silva Oliveira, missionária na igreja. “Decidimos manter as portas abertas para explicar como nos podem seguir online. Para a semana já não devemos abrir as portas.” E acrescentou: “As pessoas têm medo nestas situações e é importante conseguir apoiar.”

Para os cristãos, domingo é tipicamente dia de celebrar e recordar os ensinamentos de Cristo, partilhar experiências e estar em comunhão. Mas no combate à pandemia covid-19, muitas comunidades religiosas suspenderam as suas actividades. A Santa Sé, no Vaticano, já avisou que vai manter as celebrações da Semana Santa, mas sem pessoas.

Esta sexta-feira, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) decretou a suspensão das missas comunitárias, catequeses e outros actos de culto. A Aliança Evangélica Portuguesa pediu que as comunidades e igrejas evangélicas não abrissem as portas para cultos e outras actividades “durante, pelo menos, duas semanas”. A sede mundial das testemunhas de Jeová anunciou que várias filiais terão de cancelar temporariamente reuniões, assembleias ou outros eventos teocráticos.

Bancos vazios, serviços religiosos online

Como alternativa, surgem várias opções online. “Vamos louvar ao senhor, mesmo que tenhamos em frente os bancos vazios. Vamos continuar”, prometia a missionária Ana Mary, em directo no Facebook da Assembleia de Deus de Almada, que fechou as portas este domingo. “Onde estejas, em casa, sentado no sofá, vamos louvar a Deus.”

Na Igreja Católica, a Conferência Episcopal Portuguesa sugere às famílias que acompanhem a eucaristia através da rádio, televisão e Internet.

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O serviço deste domingo foi transmitido através do Zoom

“Sinto que a abordagem está a ser semelhante a nível mundial, com várias igrejas, católicas e protestantes a migrar para serviços online e a pedir prudência. Para muitos tem sido uma oportunidade de usar tecnologia que antes não usávamos”, disse ao PÚBLICO Filipe Teixeira, pastor na Igreja Evangélica do Seixal, que decidiu suspender todas as reuniões presenciais até 28 de Março. Os serviços de domingo vão passar a ser transmitidos através do programa de videoconferências Zoom.

“Nos últimos dias, tentámos garantir que todas as pessoas tinham acesso [ao software], especialmente as pessoas mais idosas”, explicou o pastor Filipe Teixeira. “Como nem todas as pessoas têm familiares mais novos que as possam ajudar, um grupo de jovens voluntários esteve a contactar a comunidade por telefone para ajudar com a ligação.” O pastor pondera, no próximo fim-de-semana, ter as portas abertas, apenas para prestar apoio, pontual, a quem está a ter dificuldades em ligar-se à Internet ou para receber pessoas a tentar encontrar uma igreja aberta. “Temos noção de que nestas situações as pessoas nos podem querer procurar.”

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