Presidente israelita tentou mediar governo de Netanyahu e Gantz e voltou a falhar

Benny Gantz teve o apoio da Lista Unida e do partido de Avigdor Lieberman, mas o Presidente, Reuven Rivlin, insistiu numa solução que incluísse Netanyahu, num executivo que permitisse evitar as quartas eleições legislativas consecutivas em Israel.

,Primeiro Ministro de Israel
Foto
Benny Gantz e Benjamin Netanyahu não chegaram este domingo a acordo sobre uma futura solução governativa para Israel AMIR COHEN/Reuters

A reunião entre o primeiro-ministro israelita e líder do Likud, Benjamin Netanyahu, e o líder do Partido Azul e Branco, Benny Gantz, acabou sem progressos significativos, diz o Jerusalem Post. O encontro negocial foi convocado e mediado pelo Presidente de Israel, Reuven Rivlin, depois de Gantz receber o apoio da Lista Unida, que junta partidos na maioria árabes-israelitas, e do Yisrael Beiteinu, de Avigdor Lieberman. 

Rivlin entrou na reunião com duas propostas em cima da mesa, na esperança de ultrapassar meses de impasse: solução governativa de emergência, para combater a epidemia de covid-19, ou um executivo para os próximos quatro anos, disseram fontes próximas do Presidente ao Jerusalem Post. Mas a reunião acabou sem progressos significativos, ainda que os dois líderes tenham dito em comunicado conjunto que as suas equipas negociais se vão encontrar no futuro próximo, sem adiantar mais pormenores. 

As propostas do Presidente estavam em linha com as que Netanyahu apresentou no início deste domingo a Gantz, ou seja, governo de emergência de seis meses ou um de quatro anos em que o líder do Partido Azul e Branco o iria substituir dois anos depois. Mas a situação mudou durante a tarde quando Gantz conseguiu o apoio da Lista Unida e do Yisrael Beiteinu (Israel Nossa Casa, nacionalista secular), conquistando 61 deputados num Parlamento de 120 - Netanyahu tem 58. 

Num primeiro momento, o gabinete de Rivlin disse que ia mandatar o líder do Partido Azul e Branco para formar executivo, mas acabou por voltar atrás ao convocar uma reunião com Gantz e Netanyahu, sem que esta produzisse resultados capazes de ultrapassar meses de impasse. Rivlin corre contra o tempo por ter até terça-feira para mandatar um dos líderes a formar governo e, depois, o escolhido terá seis semanas para negociar uma solução governativa com maioria no Knesset (Parlamento). 

Desde Dezembro de 2018 que Israel tem um Governo de gestão e as últimas duas eleições - em Abril e Setembro de 2019 - não deram uma vitória expressiva a Gantz ou a Netanyahu e as negociações que se seguiram foram inconclusivas num Parlamento fragmentado e em que os antagonismos imperam. As legislativas de 2 de Março deste ano voltaram a ter o mesmo desfecho: Netanyahu venceu, mas por muito pouco. 

No entanto, Gantz parece ser o mais bem posicionado ao ter 61 deputados do seu lado, mas os números podem ser enganadores. Há vários deputados do seu partido a oporem-se à formação de um governo minoritário com apoio parlamentar da Lista Unida, os árabes israelitas recusam entrar num executivo com Gantz e o Yisrael Beiteinu sempre disse que não participaria num executivo com árabes israelitas.

Gantz tem de ultrapassar um complexo xadrez político e nada parece fragilizar a sua vontade em ser o próximo chefe de Governo. E, para isso, quer, diz o Jerusalem Post, forçar uma votação que afaste o presidente do Knesset, Yuli Edelstein, do Likud, para o substituir com um partidário seu, o que lhe daria um controlo essencial sobre as comissões e assuntos processuais parlamentares. 

Por sua vez, Netanyahu está a lutar pela sua vida política ao ser acusado de suborno, fraude e abuso de confiança em três casos diferentes de corrupção. A primeira sessão do seu julgamento por corrupção deveria começar esta terça-feira, mas o ministro da Justiça em funções, Amir Ohana, declarou no sábado o “estado de emergência” no sistema judicial. O colectivo de juízes responsável pelo julgamento do primeiro-ministro não teve então outra opção que não adiar a primeira audiência para 24 de Maio. A declaração do ministro foi encarada por críticos, inclusive por ex-juízes supremos, como manobra encapotada para travar o julgamento.