Gustavo Bebianno, ex-aliado tornado crítico de Bolsonaro morre aos 56 anos

Gustavo Bebianno foi advogado pessoal de Bolsonaro e dirigiu a campanha presidencial de 2018. Saiu do Governo em rota de colisão com os filhos do Presidente e disse temer pela vida.

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Gustavo Bebianno liderou o PSL durante a campanha de Bolsonaro Reuters/AMANDA PEROBELLI

O ex-ministro e homem-forte da campanha de Jair Bolsonaro, Gustavo Bebianno, morreu nesta madrugada, aos 56 anos, vítima de um enfarte fulminante. Bebianno tinha sido demitido do Governo em Fevereiro do ano passado e era muito crítico do círculo próximo do Presidente.

O político estava na sua propriedade em Teresópolis, no interior do estado do Rio de Janeiro, quando sofreu um ataque cardíaco, por volta das 4 horas (7 horas em Portugal continental), segundo a imprensa brasileira. Ainda foi levado para um hospital, mas acabou por morrer. Não é claro se o cadáver de Bebianno foi objecto de uma autópsia.

Bebianno estava cotado para concorrer às eleições municipais no Rio de Janeiro pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), no qual se tinha filiado recentemente. O líder do partido e governador de São Paulo, João Doria, lamentou a morte que descreveu como surpreendente. Já Bolsonaro, várias horas depois da revelação da morte do seu antigo aliado, ainda não se tinha pronunciado.

Bebianno foi um elemento crucial durante a campanha vitoriosa de Bolsonaro à presidência. Para além de ter sido advogado pessoal do capitão reformado, Bebianno presidiu ao Partido Social Liberal (PSL) durante a campanha presidencial e era um dos principais conselheiros de Bolsonaro. Estava com ele durante o ataque de que o então candidato foi alvo em Juiz de Fora, Minas Gerais, em Setembro de 2018.

Com a eleição de Bolsonaro, Bebianno foi nomeado para a Secretaria-Geral da Presidência, um importante órgão ministerial que trabalha muito de perto com o chefe de Estado. Mas a sua permanência no Governo duraria pouco mais de um mês.

As investigações que revelaram um esquema de financiamento ilícito no PSL que envolviam candidaturas-fantasma, denominadas de “laranjas”, funcionaram como o pretexto ideal para afastar Bebianno do Governo. Na verdade, o ministro tinha entrado em rota de colisão com os filhos de Bolsonaro, que criticava por terem demasiada influência na gestão quotidiana dos assuntos de Estado.

O embate passou para a praça pública, com Carlos Bolsonaro a chamar mentiroso a Bebianno nas redes sociais. Quando foi demitido, o ex-ministro pediu desculpas “por ter viabilizado a candidatura de Bolsonaro”.

Fora do Governo, Bebianno tornou-se um grande crítico de Bolsonaro, mas especialmente dos filhos. No início do mês, foi entrevistado no programa Roda Viva, um dos mais tradicionais e importantes da televisão brasileira, durante o qual disse recear uma “ruptura institucional” por parte do Governo e denunciou as tentativas de criação de uma “Abin paralela”, referindo-se aos serviços de inteligência brasileiros.

Em várias ocasiões Bebianno disse sentir-se ameaçado por causa das informações que tinha sobre a campanha de Bolsonaro e sobre a sua família. Numa entrevista à Rádio Jovem Pan, no final do ano passado, o ex-ministro disse ter reunido material que está “fora do Brasil”. “Eles podem achar que, fazendo alguma coisa comigo aqui no Brasil, uma coisa tão terrível que fosse capaz de assustar quem estivesse ao meu redor e, portanto, inibir a divulgação de algum material”, disse Bebianno na altura.