Buenos Aires: muito além de tango, ópera e futebol

O leitor Mário Menezes partilha a sua experiência na capital argentina.

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El Caminito
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Floralis Generica na Recoleta
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Obelisco no centro da Avenida 9 de Julho

Desde os 30 que tenho comemorado o meu aniversário a viajar. A Argentina, onde passei duas semanas, marcou a minha entrada nos 45. 

Após ter estado “enlatado” numa classe económica mais de 12 horas, aterrar no Aeroporto Pistarini, em Buenos Aires, foi um alívio. Manhã de 25/1, temperatura 34ºC. Fui imediatamente refrescar-me na piscina do hotel, terraço do prédio no coração do antigo e boémio bairro de San Telmo. Almoço, altura de retemperar as forças com um “bife chorizo” e dar início ao recorrido pela cidade.

Os dias que se seguiram tiveram esta rotina, tal como a ementa, onde fiz questão de experimentar o maior número de cortes das melhores carnes do mundo, sempre acompanhados por um bom vinho. Além de carne, a Argentina é um paraíso vinícola, e de cerveja, dadas as inúmeras marcas e tipos diferentes. Caminhando até ao Obelisco de Buenos Aires, um ex-líbris da cidade, no centro da Avenida 9 de Julho, passando pela Praça Mayo, com a sua Catedral Metropolitana, onde o Papa Francisco exercia, a Casa Rosada, residência oficial do Presidente, cenário do filme Evita, o Congresso da Nação, cuja arquitectura é inspirada no Capitólio de Washington e acabando o dia em Puerto Madero, uma zona nova da cidade, com muitos bares e restaurantes. Assim começaram as minhas férias.

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Casa Rosada

Buenos Aires, cidade de concepção europeia, alcunhada de Paris da América do Sul devido ao predomínio da arquitectura colonial e ao modo de vida dos seus habitantes, aos palacetes e finos cafés, com destaque para o Tortini,  onde marquei presença na hora a que vim ao mundo, enormes avenidas, parques e jardins, bairros chiques como a Recoleta, onde jaz a eterna Evita Peron, um mausoléu que é local de romaria, e Palermo, com os seus bosques e onde se situam os museus mais visitado da cidade, o Evita, o MALBA, de arte latino-americana, muito próximo do Museu Nacional de Belas Artes, contrastam com outros bairros como La Boca, na zona portuária, cheio de casas coloridas, construídas em madeira e chapa de zinco, onde se situa  El Caminito, a famosa rua-museu que inspirou o famoso tango Caminito

Diz-se que o tango nasceu num bordel, por esta parte do mundo, na foz do rio da Prata. É obrigatório assistir ao vivo a um espectáculo. Grandioso e de enorme orgulho nacional, pois os argentinos amam a sua pátria e recebem de braços abertos quem a visita. O Señor Tango é considerada a melhor sala, convém reservar com antecedência. Com a orquestra a tocar Por una cabeza ou La Comparsita, os bailarinos compõem brutais passes de dança, fazendo as companheiras parecerem bonecas de borracha. E no final uma homenagem à eterna Evita Peron, ao som de Não chores por mim, Argentina, com a bandeira nacional desfraldada e o público a aplaudir de pé.

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Teatro Colón

A ópera também é parte desta cidade, herança dos europeus. O Teatro Colón encontra-se entre as cinco melhores casas de ópera do mundo. Não só pelo seu reportório, tenores e sopranos, que constam dos cartazes, mas sobretudo pela acústica perfeita, o único “defeito” que Pavarotti lhe apontava. Um edifício projectado por europeus e construído somente com materiais importados do Velho Continente. A visita guiada ao seu interior impressiona, e mais que isso não pude fazer, pois a temporada lírica só se inicia em Março. 

O futebol também é rei, ou não se trate do país em que os adeptos são os mais fanáticos do mundo. La Bombonera, casa do Boca Juniors, onde brilhou “El Pibe” Maradona, é de visita obrigatória, assim como o Estádio Monumental, casa do seu eterno rival, o River Plate, que trouxe ao nosso campeonato Saviola ou Aimar. Os dois maiores emblemas da cidade recebem milhares de visitantes por dia, que posam nos respectivos museus com os troféus conquistados, e também visitam as bancadas, balneários e terreno de jogo, onde os seus ídolos exercem a arte do desporto-rei. Pela área metropolitana existem outros palcos de grandes equipas, como o Racing Avellaneda e o Independiente.

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A política também não falta. Basta ver muitos murais espalhados pela cidade. Um país que tem na sua História as guerras contra Espanha, pela sua independência, aliado com os seus vizinhos chilenos, e depois contra estes por disputas territoriais, e muitas revoluções, a luta do proletariado pelos direitos sociais, os “descamisados” que Evita Peron sempre apoiou e as crises de dívida externa com intervenções do FMI.

Conheci uma cidade lindíssima, segura, fortemente policiada, de habitantes muito amáveis, atenciosos e muito acolhedores. Quem visita a Argentina jamais esquecerá a simpatia dos seus habitantes e o sotaque porteño.

Buenos Aires encantou-me, mas o melhor deste país ainda estava para vir... Cataratas de Iguazu, Ushuaia, o Fim do Mundo e os glaciares da Patagónia seriam o programa para os próximos dias.

Mário Menezes

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