Professores poderão trabalhar à distância “sempre que possível”

Avaliação do 2.º período pode ser decidia em reuniões não presenciais e será feita com base nos elementos disponíveis. Cantinas abertas para os alunos carenciados.

Foto
Tiago Brandão Rodrigues MIGUEL MANSO

Começam a ficar mais claros os impactos da suspensão das aulas, decretada na quinta-feira pelo Governo, no dia-a-dia das escolas. A avaliação do 2.º período vai ser feita nas próximas semanas, dentro do seu calendário normal. O Ministério da Educação (ME) diz que as reuniões e o restante trabalho que os professores terão que continuar a realizar pode ser feito à distância “sempre que possível”.

A suspensão das aulas até à pausa lectiva da Páscoa faz antecipar em cerca de duas semanas o final do 2.º período, o que implica alterações nos calendários de avaliação que estavam definidos pelos professores. A avaliação sumativa deve ser feita “no período normal”, isto é, até ao dia 27 de Março, data em que as escolas deviam entrar de férias. A indicação é dada pelo ME num comunicado enviado a todos os directores de escolas públicas na manhã desta sexta-feira. As notas dos alunos serão decididas “com base nos elementos disponíveis nesse momento e no carácter contínuo da avaliação”.

As reuniões de avaliação e outras que sejam necessárias dentro da escola, bem como as restantes actividades dos docentes – incluindo a preparação de materiais para que os alunos possam continuar a trabalhar no período em que vão estar em isolamento nas suas casas – “poderão ser realizadas a distância, sempre que possível”, informa o ministério.

Os professores e os funcionários “não estão de férias”, como tinha dito na última madrugada o ministro Tiago Brandão Rodrigues, devendo continuar a fazer o seu trabalho de avaliação e preparação de materiais pedagógicos para os alunos. Os docentes vão poder trabalhar a partir de casa, mas podem ser chamados à escola sempre que isso se justificar. A gestão dessa necessidade será feita por cada director. 

O ME anuncia também que está “em preparação” um conjunto de orientações e ferramentas para coadjuvar o trabalho pedagógico das escolas durante a suspensão das actividades lectivas presenciais. A hipótese de fomento do ensino à distância, com a disponibilização de recursos digitais aos alunos, tinha sido avançada pelo ministro, avançando que a mesma estava a ser trabalhada com empresas e editoras. Tiago Brandão Rodrigues reúne-se na tarde desta sexta-feira com representantes das associações de directores de escolas para debater esta estratégia. 

Cantinas vão funcionar para alunos do escalão A

Durante o período de suspensão das aulas, as cantinas das escolas terão também que continuar a funcionar para garantir refeições aos alunos carenciados, isto é aos que tiverem escalão A da Acção Social Escolar. As escolas, “em conjunto com as autarquias e os prestadores de serviço, encontrar a forma mais eficaz e segura de assegurar a refeição”, informa a tutela. 

Garantido está também um procedimento, que será anunciado nos próximos dias, para que os alunos não necessitem de se deslocar à escola para fazer a inscrição nos exames nacionais, cujo período está neste momento a decorrer.

No comunicado enviado esta sexta-feira a todos os directores, o ME sublinha também a importância de que seja comunicado pelas escolas às famílias que a suspensão das aulas “terá efeitos tanto mais positivos quanto os alunos e as famílias cumpram estritamente as regras de higiene, de distanciamento social e, sobretudo, se for evitada a deslocação a locais com concentração de pessoas”.

Os professores titulares (do 1.º ciclo) e os directores de turma são também instruídos para quem recolham todos os contactos telefónicos e de correio electrónico dos encarregados de educação, garantindo um meio de contacto para sinalizar situações de suspeita ou contágio que decorram após o início da suspensão.