“Existe conhecimento” para que ensino à distância funcione, garante ministro

Professores poderão trabalhar à distância “sempre que possível”. Avaliação do 2.º período pode ser decidia em reuniões não presenciais e será feita com base nos elementos disponíveis. Cantinas abertas para os alunos carenciados.

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LUSA/MARIO CRUZ

As escolas entram, na próxima segunda-feira, “num novo paradigma” em que se espera que os alunos continuem a trabalhar as matérias mesmo que estejam em casa, depois da suspensão das aulas decidida pelo Governo como forma de conter a epidemia de covid-19. O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues garante que “existe conhecimento” suficiente para garantir que o ensino à distância vai funcionar.

No final de uma reunião com os presidentes das duas associações de directores de escolas públicas, esta sexta-feira, Brandão Rodrigues lembrou que no seu ministério existe uma equipa dedicada ao ensino à distância, no qual estão inscritos, por exemplo, estudantes que integram as Unidades de Apoio ao Alto Rendimento na Escola, destinadas para atletas, mas também alunos hospitalizados ou os filhos de famílias sem morada fixa, como os trabalhadores dos circos.

“Existe conhecimento”, garantiu o ministro da Educação, para quem a próxima semana será “muito importante” por marcar o início de uma nova forma de trabalho nas escolas. Ainda que admita que “dificilmente conseguiremos ter, na próxima segunda-feira, tudo montado”, o ministro da Educação assegura que há “grande confiança” e “espírito de missão” nas escolas para dar resposta ao momento extraordinário que está a ser vivido em função da resposta à propagação do novo coronavírus no país.

Brandão Rodrigues também agradeceu a disponibilidade de “um conjunto de instituições públicas e privadas [como as editoras Leya e Porto Editora] que já disponibilizaram as suas plataformas” de e-learning gratuitamente, que poderão ser usadas pelas escolas durante as suas semanas de suspensão lectiva até às férias da Páscoa.

Durante a manhã, o Ministério da Educação tinha enviado um comunicado a todas as escolas públicas onde anunciava ter “em preparação” um conjunto de orientações e ferramentas para coadjuvar o trabalho pedagógico das escolas durante a suspensão das actividades lectivas presenciais. A hipótese de fomento do ensino à distância, com a disponibilização de recursos digitais aos alunos, tinha sido avançada pelo ministro na véspera, quando a suspensão das aulas presenciais foi anunciada.

A suspensão das aulas até à pausa lectiva da Páscoa faz antecipar em cerca de duas semanas o final do 2.º período, o que implica alterações nos calendários de avaliação que estavam definidos pelos professores. A avaliação sumativa deve ser feita “no período normal”, isto é, até ao dia 27 de Março, data em que as escolas deviam entrar de férias, avança o ME no mesmo comunicado. As notas serão decididas “com base nos elementos disponíveis nesse momento e no carácter contínuo da avaliação”.

As reuniões de avaliação e outras que sejam necessárias dentro da escola, bem como as restantes actividades dos docentes – incluindo a preparação de materiais para que os alunos possam continuar a trabalhar no período em que vão estar em isolamento nas suas casas – “poderão ser realizadas a distância, sempre que possível”, informa o ministério. Os professores “não estão de férias”, como tinha dito na última madrugada o ministro Tiago Brandão Rodrigues, devendo continuar a fazer o seu trabalho de avaliação e preparação de materiais pedagógicos para os alunos.

As cantinas das escolas terão também que continuar a funcionar para garantir refeições aos alunos carenciados, isto é aos que tiverem escalão A da Acção Social Escolar. As escolas, “em conjunto com as autarquias e os prestadores de serviço, encontrar a forma mais eficaz e segura de assegurar a refeição”.

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