O Castelo de São Jorge continua aberto e os trabalhadores pedem o seu encerramento

Sindicato de Trabalhadores do Município de Lisboa pede que sejam “assumidas decisões que salvaguardem a saúde pública neste espaço” que é o mais visitado de Lisboa, sobretudo por turistas estrangeiros. EGEAC justifica decisão com o facto de o Castelo de São Jorge ser um “espaço ao ar livre”.

Castelo de S. Jorge
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DRO DANIEL ROCHA

Para tentar travar a propagação do surto da covid-19, a Câmara de Lisboa decidiu suspender na passada quarta-feira a actividade ao público de todos os seus equipamentos culturais. Todos, à excepção do Castelo de São Jorge. Sem compreender esta decisão da autarquia e da empresa municipal que o gere, a EGEAC, os trabalhadores pedem para ter um tratamento semelhante ao dos colegas e que o castelo seja encerrado aos visitantes. 

O Sindicato de Trabalhadores do Município de Lisboa emitiu, esta sexta-feira, um comunicado em que diz estar ao lado dos funcionários deste que é o equipamento mais visitado na cidade — sobretudo por estrangeiros — e em que pede que sejam “assumidas decisões que salvaguardem a saúde pública neste espaço” e avaliadas “com os trabalhadores os melhores caminhos à salvaguarda da sua saúde e bem-estar”. 

“Os trabalhadores do Castelo de São Jorge não podem ficar reféns da lógica meramente economicista, que aparentemente justifica a manutenção do seu funcionamento. Não podem ser desconsiderados, ao ponto de se ignorar os riscos potenciais associados à pandemia da covid-19”, escreve o sindicato, que é liderado por Vítor Reis. “Apesar de nos últimos dias se ter verificado uma redução significativa no turismo da cidade, o Castelo de São Jorge continua a receber muitos turistas oriundos de todas as partes do mundo. Trata-se, neste sentido, de um risco elevadíssimo de contágio e propagação que deve ser tido em conta nas medidas a implementar impreterivelmente neste local de trabalho”, sublinha a nota. 

O PÚBLICO já tinha questionado a EGEAC sobre este assunto na quarta-feira. A resposta chegou na quinta, ao fim do dia, dando nota de que tinham sido adoptadas “inúmeras medidas para garantir a segurança dos trabalhadores (máscaras, limites de acesso e de distância para a compra de bilhetes, encomendados acrílicos para o front office e fomentada a compra de bilhetes online)”. 

No esclarecimento, a EGEAC salientava ainda que o Castelo de São Jorge “é um espaço ao ar livre” e que os espaços fechados, como a Torre de Ulisses/Câmara Obscura, o Núcleo Museológico ou a Sala Ogival tinham sido encerrados, assim como “todos as actividades e eventos, como visitas orientadas ou concertos”. E dava como exemplo outros monumentos nacionais (Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém) que continuavam abertos — que, entretanto, o Ministério da Cultura já mandou encerrar

A pergunta sobre se a EGEAC tinha já recebido queixas de trabalhadores ficou por responder.

Ainda na quarta-feira, o grupo municipal do Bloco de Esquerda remeteu um requerimento à Assembleia Municipal de Lisboa para que apurasse, junto da câmara municipal, as razões que levaram à decisão de não encerrar este equipamento. E ainda que precisasse as medidas implementadas para a protecção dos trabalhadores e para contenção do contágio entre visitantes. Entretanto, foi também criada uma petição online pelo encerramento do Castelo de São Jorge. com João Pedro Pincha

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