Portugal Fashion sem público e com muitas máscaras

Evento de moda, feito à porta fechada e sem público, arrancou com um cenário de pessoas com máscaras e desinfectantes espalhados pela Alfândega do Porto. Houve criadores que adiaram as suas apresentações

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David Catalán foi buscar a inspiração aos clubes de futebol britânicos Portugal Fashion
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A designer Susana Bettencourt fez uma performance Portugal Fashion
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As sugestões Outono/Inverno de Susana Bettencourt Portugal Fashion
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A criadora faz uma crítica à "fast-fashion"... Portugal Fashion
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... e ao desperdício Portugal Fashion
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As proposta de Maria Gambina Portugal Fashion
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As proposta de Maria Gambina Portugal Fashion
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As proposta de Maria Gambina Portugal Fashion
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As proposta de Maria Gambina Portugal Fashion
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As proposta de Maria Gambina Portugal Fashion
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As proposta de Maria Gambina Portugal Fashion
Maria Gambina
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As proposta de Maria Gambina Portugal Fashion

De máscara azul no rosto e luvas calçadas, a maquilhadora Rute Costa vai colocando base e dando os últimos retoques no rosto da manequim Isabella Uzman, com um cotonete e pincel descartável que não voltarão a ser reutilizados. Na mesa, cheia de cosméticos e produtos de maquilhagem, há desinfectante gel que a profissional usa para desinfectar outros materiais. Estas são algumas das medidas de precaução para controlar a pandemia de covid-19, no Portugal Fashion (PF) que, pela primeira vez em 25 anos de existência, decorre à porta fechada.

Como Rute, dezenas de maquilhadores e cabeleireiros estão a tomar precauções semelhantes nos bastidores da 46.ª edição do PF, num evento que começou na quinta-feira, na Alfândega do Porto, de modo atípico com modelos a desfilar numa sala praticamente vazia. Os desfiles são transmitidos online e em directo (live streaming). Há desinfectantes espalhados pelo recinto, com medidas de contenção apertadas, num evento que costuma reunir milhares de pessoas. Mas, desta vez, está restringido à equipa de bastidores, ao staff técnico e aos profissionais da comunicação social portuguesa e influenciadores digitais.

“Temos de tomar precauções extras, desde desinfectar constantemente as nossas mãos e os pincéis sempre que maquilhamos outro manequim. E utilizamos pincéis descartáveis para os retoques na maquilhagem”, descreve Paulo Almeida, director da maquilhagem do PF, ao PÚBLICO. O profissional confessa sentir falta da habitual azáfama do público a assistir aos desfiles. “É mais trabalhoso estar sempre a desinfectar os pincéis, mas temos de ter o máximo de cuidado possível”, ressalva Rute Costa. Será este o cenário nos próximos dias.

De máscara branca, Vasco Freitas, cabeleireiro oficial do PF, vai desfiando que esta edição “está a ser um bocadinho estranha” em relação ao habitual. “Temos de lavar e desinfectar regularmente as mãos, os materiais que usamos para pentear. Há desinfectantes disponíveis em todas as mesas de trabalho.” Ainda assim, admite: “Tive receio de vir ao PF. Estar aqui é um risco, mas estar fora de casa também é.”

Já a modelo Isabella Uzman não ficou com receio de desfilar no evento “que tem pouca movimentação de pessoas”, e garante que tomou todas as precauções. “A minha agência teve o cuidado de mencionar os cuidados a ter. Não estive fora do país. Mas é preciso ter cuidado, sem entrar em pânico”, refere a modelo, continuando: “Estar na passerelle sem público parece um ensaio e não um desfile.”

O designer David Catalán no final do desfile Portugal Fashion
Portugal Fashion
Portugal Fashion
Portugal Fashion
Portugal Fashion
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Dos bastidores para a passerelle, os modelos desfilam. “Primeiro achei estranho ter uma sala quase vazia, sem público”, diz o criador David Catalán que levou 40 coordenados da colecção Outono/Inverno 2020/2021, com cores mais garridas, inspirados nos jogos de futebol e no guarda-roupa dos adeptos e fãs das claques das várias equipas de futebol inglês. “Mas com a transmissão online em directo as pessoas podem ver em casa os coordenados que apresentei para um homem divertido, irreverente e que gosta de jogar com acessórios como malas ou bonés”, descreve David Catalán. O designer acredita que este formato do PF não prejudica em termos comerciais. 

Susana Bettencourt apresentou de maneira original Portugal Fashion
A criadora e a sua equipa vestiram os modelos Portugal Fashion
Em vez de desfilaram, fizeram uma performance Portugal Fashion
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Susana Bettencourt admite que, inicialmente, estava com algum medo. “Mas depois de chegar, vi que não havia razões para isso, porque estão poucas pessoas presentes.” A designer apresentou a colecção “Overload que é um manifesto contra a “produção massiva e tóxica do fast-fashion”. Por isso, recorreu a matérias-primas que já tinha disponíveis e a desperdícios de malhas. Os coordenados apresentados são o culminar das três últimas colecções, que já chamavam a atenção para problemas sociais como a depressão. À semelhança do que já acostumou o público do PF, a criadora optou por uma performance com manequins a vestiram “uma segunda pele”. Ainda assim, admite, que estava “apreensiva com o formato e como iria apresentar nesta edição, porque queria mais proximidade e interacção com o público”.

Maria Gambina apresenta uma colecção para mulher e homem Portugal Fashion
Há palavras-chave na proposta para a estação de Outono/Inverno Portugal Fashion
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Maria Gambina, que fechou a primeira noite do PF com uma colecção “divertida, urbana e criativa”, baptizada de Searching for the perfect MG, diz que já se “tinha mentalizado que não iria ter público como é costume”. “Nos bastidores também foi bem mais calmo”, testemunha, acrescentando que numa ida ao supermercado está mais próxima das pessoas do que ali. 

Inês Torcato tinha desfile marcado para antes de Maria Gambina, mas cancelou na véspera. “Por respeito à minha equipa e a todas as pessoas envolvidas nesta apresentação, não quero nem posso expor ninguém a uma potencial situação de risco”, lê-se na página de Facebook da marca. Também o desfile do pai de Inês, Júlio Torcato, já tinha sido reagendado, assim como a estreia da marca B488 by Luís Borges foi cancelada por se tratar de uma apresentação em ambiente de festa.

A organização justifica a decisão de realizar o evento: “É nosso dever defender o interesse comercial e profissional de criadores e marcas, fazendo o que for possível para garantir a realização dos desfiles integrados no circuito internacional de moda.” Por isso, não cancelou o evento, apesar de ser esta a medida preventiva que estava a ser tomada pelas organizações de outros eventos por todo o país. “O nosso plano de contingência foi revisto à risca e estamos sempre em contacto com a Direcção-Geral da Saúde”, garante Mónica Neto, directora do PF.

Os desfiles dos designers Diogo Miranda e Luís Onofre encerram nesta sexta-feira o segundo dia do Portugal Fashion.