Subida ténue na Bolsa de Lisboa não evita queda semanal de 18%

O índice PSI-20 valorizou 0,83% nesta sexta-feira. Praças europeias em alta reflectem ajustes técnicos e incentivos à economia. Wall Street anulou parte das perdas de quinta-feira

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O PSI 20 subiu pela primeira vez desde 5 de Março Nuno Ferreira Santos

Depois de uma quinta-feira negra nos mercados, com Wall Street a viver o pior dia de negociação desde Outubro de 1987 e o Velho Continente a viver uma das piores sessões dos últimos 20 anos, as principais bolsas europeias conseguiram inverter o ciclo e travar as perdas.

O dia começou e terminou em alta, uma trajectória explicada, por um lado, pela reacção técnica que se segue por norma a quedas tão acentuadas e, por outro, pela reacção dos investidores às injecções de liquidez nas economias por parte de vários bancos centrais.

Apesar de se ficar por uma subida ténue de 0,83%, a Bolsa de Lisboa quebrou um ciclo de seis sessões em desvalorização, a última delas de 9,8%, mas não conseguiu evitar que o saldo da semana fosse muito negativo, com o valor bolsita a ser 18% inferior ao da sexta-feira da semana passada.

A subida desta sexta-feira foi impulsionada pelas valorizações da Galp, EDP, EDP Renováveis e Mota-Engil (assim como pelo desempenho em alta da Jerónimo Martins, Mota-Engil, Nos, CTT e Corticeira Amorim), mas contrabalançada pelas quedas da Altri, Semapa, Navigator, REN, Sonae SGPS (grupo que detém o PÚBLICO) e Sonae Capital e BCP e F. Ramada.

Fustigada pela dimensão da crise de saúde pública em Itália, a Bolsa de Milão escapou às perdas e foi a que teve o impulso mais significativo, ao crescer 7,12%, beneficiando da proibição das vendas a descoberto de algumas acções que estavam com quedas a pique.

O mesmo aconteceu na Bolsa de Madrid, que fechou com uma valorização de 3,74%. Atenas subiu 2,49%, Londres valorizou-se 2,46%, Paris apresentou uma variação positiva de 1,83%, Frankfurt encerrou a crescer 0,77%, mas Amesterdão já se ficou por uma subida de 0,18%.

O sentimento na Europa pode ser medido pela variação de 1,43% do Stoxx 600, que agrega as 600 maiores empresas cotadas praças europeias. As medidas de apoio à economia anunciadas pelos governos, o plano concertado da Comissão Europeia e a acção dos bancos centrais foram sinais que poderão ter tido eco junto dos investidores.

Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu abrir uma nova linha de empréstimos a taxas de juro negativas para os bancos da zona euro (com o objectivo de facilitar o crédito dos bancos às Pequenas e Médias Empresas) e decidiu reforçar em 120 mil milhões de euros o montante das compras de obrigações empresariais a realizar até final de 2020. Esses factores terão amenizado as reacções dos investidores, apesar das críticas de que a presidente do BCE, Christine Lagarde, está a ser alvo por parte de quem esperava medidas mais fortes para responder ao momento de crise económica que se antecipa por causa do agravamento da propagação na Europa, que é agora o foco do contágio.

Depois do BCE seguiram-se outros anúncios, com a Reserva Federal norte-americana (Fed) a confirmar uma injecção de 1500 milhões de dólares, com o banco central do Japão a anunciar a compra de 200.000 milhões de ienes de obrigações e a autoridade monetária da Austrália a subir o valor das suas operações de recompra em 8800 milhões de dólares australianos, refere a Reuters.

Em Wall Street, o cenário desta sexta-feira contrastou com a trajectória negativa da véspera, tendo o Dow Jones subido 9,36%, o Nasdaq Composite valorizado 9,35% e o S&P encerrado com ganhos de 9,29%, depois de Donald Trump ter accionado apoios de 50 mil milhões de dólares para apoiar a economia, agora que a covid-19 levou à declaração de emergência nacional naquele país. 

Actualizado com fecho das bolsas norte-americanas.