CP poupa revisores, higieniza comboios e aceita reembolsar bilhetes

Nalguns serviços da CP não vai haver revisão de bilhetes para não expor os revisores ao risco de contágio. Empresa admite quebra na procura e vai facilitar reembolsos e adiamentos de viagens.

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Nelson Garrido

Apesar de continuarem a integrar a tripulação dos comboios, os revisores vão evitar, nalguns serviços, em particular nos suburbanos, fazer a revisão dos títulos de transporte para evitar eventuais contágios. Esta é uma das medidas da CP para evitar a propagação da covid-19 entre o seu pessoal e os passageiros.

A empresa anunciou um conjunto de medidas que passa pelo reforço da higienização do material circulante, em particular no interior das composições e nas cabines de condução. Será também realizada de forma mais intensa a desinfecção dos filtros de ar condicionado dos comboios.

As medidas de higienização serão extensivas às bilheteiras, gabinetes de apoio aos clientes, instalações sociais (cantinas, refeitórios, copas), salas de reunião, sanitários e balneários.

Nos últimos dias as casas de banho de alguns comboios – entre eles o Alfa Pendular – passaram a ter sabão azul e branco junto ao lavatório.

Em relação às viagens, a CP diz que “foram ajustadas as condições de reembolso de bilhetes, dado o carácter excepcional da situação, oferecendo maior flexibilidade aos clientes que pretendam desistir da viagem de comboios Alfa Pendular, Intercidades, InterRegional, Regional e Turísticos”. Os reembolsos, sem taxas, devem ser solicitados nas bilheteiras mediante apresentação do pedido até três horas antes da partida do comboio da estação de origem. Passado este prazo, aplicam-se as taxas em vigor.

A empresa admite também que qualquer bilhete emitido para qualquer tipo de comboio seja revalidado gratuitamente para outro horário, devendo o passageiro fazê-lo numa bilheteira, mesmo que o título de transporte tenha sido adquirido no Multibanco ou na Internet.

A CP diz que não tem números, mas reconhece que “no momento actual, verifica-se já algum abrandamento da procura nos comboios, facto que deverá acentuar-se nos próximos dias em função das recentes orientações do Governo”. E adianta que está a perspectivar “cenários de adequação da oferta à procura e às orientações da tutela e autoridades sanitárias, bem como em situação de absentismo laboral com níveis que impeçam a operação normal”.

Nas últimas duas semanas houve pelo menos dois comboios que ficaram retidos em estações (um no Entroncamento e outro no Norte do país) devido a doença súbita de passageiro com sintomas de gripe. Em ambos os casos o INEM foi à estação, mas os testes deram negativos. No caso mais recente, a automotora recolheu às oficinas para desinfecção.