À espera do pior, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças avança medidas

As pessoas devem ter consciência da “gravidade” da covid-19, apela organismo europeu. Se os recursos escassearem, como testes de diagnóstico, o seu uso deve ser racional. A prioridade máxima do uso de mascaras é para os profissionais de saúde.

,Vírus
Foto
Profissionais de saúde em Itália NICOLA FOSSELLA/ESA

O primeiro-ministro anunciou o fecho de todas as escolas até à Páscoa, numa conferência ao início da noite desta quinta-feira. A decisão, afirmou António Costa, foi baseada “num parecer” do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) publicado esta quinta-feira. “[Seguimo-nos pelo] princípio da prudência”, declarou.

O que diz o ECDC sobre o encerramento das escolas? Indica que se devem fechar as escolas, “tendo em consideração a incerteza das provas [científicas] relação à transmissão da doença pelas crianças” ou do “potencial do aumento de transmissão a avôs vulneráveis”.

Mas o fecho das escolas é apenas uma das medidas avançadas pelo ECDC para mitigar o impacto da pandemia na Europa. Ao ler-se o documento que avalia o risco de transmissão do coronavírus na Europa, ressalta que nos devemos preparar à espera do pior.

Entre as medidas de distanciamento social para impedir a transmissão do vírus de pessoa para pessoa, reduzir a intensidade da pandemia e o aumento de casos, pede-se o isolamento imediato das pessoas sintomáticas ou que tenham mesmo a doença covid-19. Apela-se ainda à suspensão de eventos, tendo em conta a sua dimensão, densidade de participantes e se são feitos num ambiente fechado ou ao ar livre.

Os locais de trabalho também são contemplados dentro das medidas de distanciamento social. Por exemplo, aconselha-se o teletrabalho, a suspensão de reuniões e ao cancelamento de viagens que não sejam essenciais. Sobre a habitação, recomenda-se “o saneamento básico de áreas residenciais com altos níveis de transmissão comunitária”.

Além disso, deve assegurar-se que as pessoas estão conscientes da “gravidade” da covid-19. E há uma mensagem para todos os cidadãos: “É necessário um elevado nível de compreensão, solidariedade e disciplina da população para que se apliquem medidas rigorosas de higiene pessoal, de etiqueta da tosse, auto-monitorização e distanciamento social”, lê-se ainda no documento do ECDC. “O envolvimento e a aceitação pela comunidade destas medidas rigorosas de distanciamento social são fundamentais para atrasar e reduzir a disseminação [do vírus].” 

Prioridade máxima das máscaras

Outra das prioridades “imediatas” apontadas são a prevenção e o controlo da covid-19 em hospitais e instalações médicas de cuidados continuados. O objectivo é o abrandamento da procura de camas nos cuidados intensivos, a protecção das populações vulneráveis a infecções graves e dos profissionais de saúde que estão em contacto com os doentes, bem como a minimização da transmissão de casos para outras instalações de saúde.

Se os recursos ou a capacidade dos países for limitada, deverão pôr-se em prática a uma série de acções para o uso racional desses recursos. Por exemplo, relativamente aos testes de confirmação de diagnóstico, ao equipamento de protecção individual, às hospitalizações e à aplicação de critérios para levantar o isolamento dos doentes. “As abordagens relativas aos testes devem dar prioridade às populações vulneráveis e à protecção de instituições sociais e de saúde, incluindo os seus funcionários”, acrescenta a avaliação de risco.

“Os sistemas de vigilância nacionais devem ter como objectivo primário a detecção rápida de casos e a avaliação da transmissão na comunidade”, refere-se ainda. “À medida que a epidemia progrida, deverá monitorizar-se a sua intensidade e disseminação geográfica e o seu impacto na população e nos sistemas de saúde, bem como avaliar a eficácia das medidas em curso.” Mais: “Em caso de capacidades limitadas e de medidas rigorosas de distanciamento social, a vigilância deve centrar-se nas infecções respiratórias agudas graves, na vigilância sentinela em consultas ambulatórias ou na recolha de dados através das linhas telefónicas de ajuda.”

Quanto ao treino dos profissionais de saúde, o ECDC recomenda “todas as instituições de saúde devem iniciar o treino do seu pessoal e daqueles que podem ser necessários durante a prestação de cuidados de saúde”: “Os países devem identificar as unidades de saúde que vão tratar os casos de covid-19, para liminar a transmissão a quem não está infectado.” Além disso, os países devem identificar instituições adicionais que podem ser usadas para tratar “casos com sintomas ligeiros, para a eventualidade de as instituições de saúde excederem a sua capacidade de intervenção”.

Por fim, as máscaras: “A prioridade máxima para o uso de máscaras (do tipo FFP2 e FFP3) é para os profissionais de saúde, em particular durante os procedimentos que gerem aerossóis, incluindo os esfregaços.”

Já há mais de 120 mil casos do novo coronavírus em mais de 100 países. Desde o final de Fevereiro que a maioria dos casos reportados é de fora da China, refere o ECDC, assinalando que tem existido um aumento continuado de casos na Europa. Quase 30 mil pessoas foram infectadas com este novo vírus no continente europeu.

Sugerir correcção