SEF faz buscas em casa de funcionário da embaixada de Portugal na Guiné detido por tráfico de pessoas

Funcionário é suspeito de se apoderar de vinhetas de visto em branco vendidas a outros cidadãos que queriam entrar no Espaço Schengen “a troco de avultadas quantias monetárias”. No primeiro interrogatório a que foi sujeito em Dezembro, terá confessado a venda das sete vinhetas aos iranianos, apurou o PÚBLICO.

Portugal
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RITA CHANTRE

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) fez esta quinta-buscas em casa de um funcionário da embaixada de Portugal na Guiné-Bissau que é suspeito de vários crimes, como corrupção, falsificação de documentos, auxílio à imigração ilegal e tráfico de pessoas. O mandado segue-se à detenção do português ocorrida em Dezembro na qual o SEF resgatou “uma mulher de nacionalidade guineense como possível vítima de tráfico de seres humanos, que se encontrava em casa do suspeito”.

Segundo um comunicado enviado por aquela polícia, o funcionário é suspeito de se apoderar de vinhetas de visto em branco que venderia a outros cidadãos que queriam entrar no Espaço Schengen. Embora fossem genuínos depois de comercializados, os vistos terão sido ilegalmente preenchidos e permitiriam a entrada de cidadãos de várias nacionalidades. O suspeito está em prisão preventiva em Lisboa. O Ministério dos Negócios Estrangeiros ainda não comentou. 

A operação – à qual chamaram Visa Branco – identificou 209 vinhetas de visto processadas desde 2012 que desapareceram da embaixada portuguesa na Guiné-Bissau, “e sobre as quais subsistem fortes indícios de que, também, possam ter sido vendidas”. A investigação sobre estas 209 vinhetas ainda decorre, não se sabe se foi o mesmo funcionário que as terá vendido. Desde 2012 que o suspeito trabalhava na embaixada.

O esquema funcionaria assim, de acordo com o SEF: o funcionário simulava informaticamente a emissão de vinhetas referentes a pedidos de vistos de cidadãos guineenses, mas anulava-as logo a seguir, deixando-as em branco. Depois, emitia novas vinhetas para os mesmos cidadãos e ficava com as vinhetas anuladas, em branco, que depois comercializava “a troco de avultadas quantias monetárias”. 

Foram as autoridades alemãs que alertaram para o alegado esquema, refere o SEF, ao detectarem sete iranianos no aeroporto de Frankfurt, com vistos portugueses nos passaportes e sobre aos quais existiam suspeitas de terem sido obtidos fraudulentamente. A investigação durou um ano. No primeiro interrogatório a que foi sujeito no Tribunal de Lisboa em Dezembro o cidadão terá confessado a venda das sete vinhetas aos iranianos, apurou o PÚBLICO. O cidadão terá ainda falsificado outro tipo de documentos, como contratos de trabalho, embora isso não estivesse ligado à sua função na embaixada. 

Com a colaboração do Ministério dos Negócios Estrangeiros, das autoridades guineenses, o SEF cumpriu um mandado de busca domiciliária e apreendeu prova informática e documental.

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