Escolas fechadas, discotecas encerradas e missas suspensas. Como a Madeira está a tentar manter a covid-19 fora do arquipélago

O Funchal já tinha apertado o controlo de entrada no arquipélago, fechando portos e marinas a cruzeiros e iates. O controlo estende-se ao aeroporto, onde o governo madeirense quer ver implementado um sistema de medição de temperatura a todos os passageiros e tripulantes que chegam.

Foto
Miguel Albuquerque, presidente do executivo madeirense Paulo Pimenta

O governo regional da Madeira decretou o encerramento de todos os estabelecimentos escolares a partir da próxima segunda-feira. A suspensão foi anunciada ao início da noite pelo presidente do executivo madeirense, Miguel Albuquerque, e justificada com a “evolução nacional e internacional” da pandemia de covid-19.

A região autónoma não tem registo de casos de infecção pelo novo coronavírus, e está a intensificar as medidas de contenção e prevenção. Além do encerramento das escolas, que se prolonga até ao final das férias da Páscoa, dia 14 de Abril, Albuquerque anunciou o fecho de todos os estabelecimentos de diversão nocturna, como discotecas.

“A evolução a nível internacional e nacional leva a que o Governo Regional venha agora acrescentar mais medidas às que têm sido anunciadas nestes últimos dias, corporizando o que já estava planificado e introduzindo novas medidas consoantes os novos cenários, tal e qual já tinha sido sublinhado”, disse o chefe do executivo madeirense aos jornalistas, durante a segunda conferência de imprensa do dia, marcada para comunicar as medidas de contingência e resposta à covid-19.

O governo, continuou Albuquerque, vai restringir as visitas a lares e outras instituições de acolhimento de idosos a um único familiar directo, e sempre entre as 14 e as 17 horas, e deliberou o encerramento dos centros de dia e de convívio. “Vamos manter, naturalmente, os apoios domiciliários”, ressalvou, alargando as mesmas restrições a visitas aos hospitais e outras unidades de saúde da região.

Foi também decidido suspender todos os eventos desportivos, culturais e sociais que impliquem um “grande aglomerado de pessoas”, e articular com a Igreja, a “cessação de serviços religiosos” que mobilizem um grande número de fiéis.

Durante a manhã, na primeira conferência do dia, o Funchal já tinha apertado o controlo de entrada no arquipélago, fechando portos e marinas a cruzeiros e iates. Até ao final deste mês, foram canceladas 23 escalas de cruzeiros, impedindo o desembarque na Madeira de mais de 50 mil pessoas.

O controlo estende-se ao aeroporto, onde até à próxima segunda-feira o governo madeirense quer ver implementado um sistema de medição de temperatura a todos os passageiros e tripulantes que chegam. Serão, contabilizou Miguel Albuquerque, controladas cerca de 10 mil pessoas por dia.