Silêncio q.b. e emissões zero: autocarros eléctricos chegam a Lisboa

A carreira 706 é a primeira da Carris a receber os novos veículos eléctricos. Presidente da empresa e autarca lisboeta dizem que este é o primeiro passo para a completa electrificação da frota. Em 2021 devem chegar mais 30 destes autocarros.

Fotogaleria
Daniel Rocha
Fotogaleria
Daniel Rocha
Fotogaleria
Daniel Rocha
Fotogaleria
Daniel Rocha
Fotogaleria
Daniel Rocha
Fotogaleria
Daniel Rocha
Veículo de luxo
Fotogaleria
Daniel Rocha
Carro compacto
Fotogaleria
Daniel Rocha

A Carris escolheu o dia mais quente do ano até ao momento para lançar oficialmente a sua nova frota de autocarros eléctricos. Resultado? Uma das badaladas vantagens destes veículos – o silêncio – foi ultrapassada pela comodidade do ar condicionado e, a bordo da carreira 706, mal deu para comprovar a quase ausência de ruído.

Mas ela existe, de facto, como demonstraram os breves minutos em que o sistema de refrigeração foi desligado para precisamente mostrar à comitiva que os novos autocarros são sítios tranquilos. Pelo menos se andarem vazios, o que é muito pouco provável numa carreira como a 706, que do Cais do Sodré a Santa Apolónia (e vice-versa) percorre o miolo de Lisboa.

Esta é a primeira linha da Carris a ser contemplada com os novos veículos movidos exclusivamente a energia eléctrica. Eles já andavam por aí em testes pelo menos desde Dezembro, mas esta quarta-feira foi dia de lançamento com discursos, passeio e beberete. “Este é o momento irreversível em que a Carris electrifica a sua frota”, declarou Tiago Farias, presidente da empresa.

A transportadora lisboeta quer chegar a 2030 sem autocarros a gasóleo e a 2040 com uma frota 100% eléctrica. “Espero que um dia façamos uma cerimónia a celebrar o fim dos autocarros movidos a combustíveis fósseis”, disse Tiago Farias, apontando que “por cada quilómetro percorrido por um autocarro eléctrico deixam de ser emitidos 1,5kg de dióxido de carbono” para a atmosfera. No caso da 706, uma carreira com sensivelmente 18 quilómetros em ida e volta, são 27 os quilos de CO2 não emitidos. Além disso, também as emissões de óxido de azoto (NOx) e de partículas finas são evitadas.

“Esta mudança, de um sistema assente no carbono para um sistema assente no eléctrico, é essencial”, afirmou Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, que em 2017 tomou as rédeas da Carris. O autarca destacou o simbolismo do momento para a empresa, mas também para quem a ela recorre diariamente. “Autocarros com menos ruído, com menos poluição e mais conforto são capazes de gerar bom ambiente para quem os usa e para os trabalhadores”, disse, advogando que os novos veículos trazem consigo “uma mudança importante da percepção e da imagem do transporte público em Lisboa”.

De um lote de 15 autocarros eléctricos que a Carris encomendou à CaetanoBus, 11 já chegaram e vão estar ao serviço da 706. Os quatro veículos que ainda estão para vir têm como destino o futuro shuttle Marquês de Pombal – Praça do Comércio, que a câmara vai criar quando implementar a nova Zona de Emissões Reduzidas da Baixa. Para 2021 está agendada nova fornada destes veículos – mais 30.

Para já os autocarros só podem ser abastecidos na estação da Pontinha, onde estão montados 15 carregadores. Cada carregamento, que é feito durante a noite, dá para cerca de 180 quilómetros. Segundo contas de Tiago Farias, o abastecimento de um autocarro eléctrico custa à volta de 25 euros por dia, enquanto o de um a diesel pode ultrapassar os 120 euros. “O custo por quilómetro é francamente mais baixo”, nota o presidente da Carris.

“O transporte público não é para quem não consegue mover-se em transporte individual. Tem de ser um direito para todos os que se querem mover de forma rápida e com qualidade”, defendeu Fernando Medina, acrescentando que “todos os que utilizarem os novos autocarros vão notar uma enorme diferença”.

Enorme, enorme, talvez não tanto. O novo autocarro é um autocarro: tem rodas, cadeiras e janelas. Tal como os outros que a Carris recebeu no último ano e meio, traz um carregador USB e um painel electrónico de informação (que, por ora, nada informa). A diferença que mais salta à vista é um carreirinho de luzes azuis no tecto e, claro, o silêncio. Assim permita o ar condicionado.