Coronavírus: Estudo confirma período médio de incubação de cinco dias

Artigo publicado esta segunda-feira na revista Annals of Internal Medicine analisou 181 casos de infecção por SARS-CoV-2 e considera adequada a definição de um período de quarentena de 14 dias.

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Foram detectados mais de 20 casos de covid-19 no navio Grand Princess com mais de 3500 pessoas a bordo e que vão ficar em quarentena durante 14 dias EPA/JOHN G. MABANGLO

Uma equipa de investigadores da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, nos Estados Unidos, analisou um conjunto de dados sobre 181 pessoas que foram infectadas com SARS-CoV-2 e conclui que o tempo médio de incubação deste novo coronavírus é de 5,1 dias. As estimativas confirmam os valores que tinham sido avançados pelas autoridades de saúde no início deste ano e também indicam que o período de 14 dias definido para a quarentena é adequado.

O estudo publicado na revista Annals of Internal Medicine conclui que 97,5% das pessoas que manifestam sintomas da doença covid-19 fazem-no durante os 11,5 dias após a exposição ao vírus. Os investigadores estimam ainda que por cada grupo de 100 mil indivíduos sujeitos a quarentena apenas 101 podem manifestar sintomas depois de um período de quarentena.

As conclusões surgem na sequência de uma análise a 181 casos de infecção registados na China e noutros países antes de 24 de Fevereiro e sobre os quais os cientistas tiveram dados sobre as prováveis datas de uma exposição ao vírus e do início dos sintomas de doença.

“Com base na nossa análise de dados publicados, a recomendação actual de 14 dias para monitorização activa ou quarentena é razoável, embora com esse período alguns casos possam não ser detectados a longo prazo”, refere Justin Lessler, professor no Departamento de Epidemiologia da Escola Bloomberg e um dos autores do estudo.

A nova estimativa de 5,1 dias para o período médio de incubação do novo coronavírus coincide com as previsões feitas em estudos iniciais, como um número reduzido de casos avaliados. Este período de incubação é semelhante ao da SARS, um outro coronavírus que também causava uma síndrome respiratória aguda e que esteve activo entre 2002 e 2004. Para o coronavírus que causou o MERS no Médio Oriente em 2012 e que possuía uma elevada taxa de mortalidade, o período de incubação era entre cinco e sete dias.

Um comunicado da Universidade de Johns Hopkins esclarece que “uma estimativa precisa do período de incubação da doença para um novo vírus facilita o trabalho dos epidemiologistas de avaliação da provável dinâmica do surto e permite que as autoridades de saúde pública planeiem medidas eficazes de quarentena e outras medidas de controlo”. Além disso, os especialistas garantem que as quarentenas geralmente diminuem a propagação da infecção e podem mesmo travá-la, mesmo quando existem alguns casos com períodos de incubação mais longos que excedam o período de quarentena.

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