“Piadas más e chapadas de realidade” — é o que Annehail tem para nos dar

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Por entre lápis de carvão, lenços de papel usados e um humor mordaz nasceu Annehail. O projecto de Marta Saraiva aterrou no Instagram em 2017 e tem vindo a crescer desde essa altura — e a pôr o dedo em várias feridas. “O que é a sociedade, o que nós consideramos o certo e o errado”: Annehail questiona tudo e consegue criar ilustrações a partir do tudo que questiona, até das “coisas mais comuns que acontecem”. Com um “estilo muito rabiscado e um traço livre, feio e cru”, tenta fundir “o positivo com o negativo”. Contrasta “temas tristes e maus com coisas mais fofinhas e alegres — até para fazer pouco do que é uma coisa má”.

Estudou Design de Comunicação na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Tem 24 anos, está “ali entre a Geração Millennial e a Geração Z”. Admite que acaba por cair em temas comuns à sua geração, baseando-se em momentos vividos por si ou pelos que a rodeiam – o conjunto das “vivências desta geração que vai construir o futuro”. “Aqueles assuntos” que afectam os jovens, quer seja “estar a estudar e andar ainda meio perdido" ou "procurar casa e não conseguir arranjar uma”.

Marta destaca ao telefone com o P3 que, para si, um dos assuntos actuais mais importantes é a saúde mental — pois sempre existiram problemas, mas "não eram falados". Estar deprimido e chorar “só agora está a ser desconstruído e reconhecido como algo aceitável”. Aliás, o seu objectivo é mesmo esse: “Banalizar o que ainda é tabu (ou não propriamente tabu, mas pouco falado) e contrariar a mentalidade de ‘don’t worry, be happy’, porque é preciso preocuparmo-nos.” Existirem pessoas a esperar que exista uma fórmula secreta para alcançar a felicidade é algo que a confunde. “Como se a felicidade fosse alcançável e permanente, como se existisse algo que tu possas fazer ou comprar e pronto, passas a ser feliz. A felicidade aparece e desaparece. É normal teres dias bons e é normal teres dias maus – e, mesmo assim, teres uma vida boa.”

É esta a mensagem que espera conseguir passar, conjugando “o lado mais feio da realidade” com frases banais da Internet, cores fortes, trocadilhos e piadas (“é inserir humor em situações más”). “Piadas más e chapadas de realidade” é o que quer que as pessoas “respirem” com o seu trabalho. Aliás, escolheu o nome Annehail precisamente por soar semelhante a inhale ("inspirar", em português), apesar de admitir, por entre risos, que, no fundo, é apenas o seu nome traduzido para inglês – Ana (Anne), o seu primeiro nome, e Saraiva (Hail).

“Eu adoro o meu trabalho (e outras mentiras que digo a mim próprio e aos outros porque preciso do dinheiro para sobreviver)”, “Tudo acontece por uma razão; às vezes, a razão é que és estúpido e fazes más escolhas” e “A vida é uma sopa, eu sou um garfo” são algumas das frases encontradas nestas ilustrações. Apesar do sucesso que está a ter (com quase 25 mil seguidores e, até, propostas de trabalhos para a Burger King americana), Marta precisa de manter outros projectos. Trabalha com marcas dentro e fora de Portugal em design gráfico e colabora com várias publicações e livros “que precisam de ilustrações". Participa em exposições e, agora, até trabalha com um estúdio de tatuagens.

annehail
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