Robertos e marionetas voltam a fazer a festa na Gafanha da Nazaré

Festival Palheta estende-se até domingo e passa por vários locais desta cidade ilhavense. Este ano, até vai deixar marcas: uma exposição que vai ficar em permanência na Fábrica das Ideias.

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Adriano Miranda
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A barraca está montada, pronta para começar a servir de cenário à aventura dos bonecos que acabaram de sair da mala. Meia dúzia de fantoches, ou talvez menos, prontos para dar corpo a uma história, entretendo novos e velhos, nas ruas, praças ou feiras. Era assim no tempo de Armando Ferraz, bonecreiro da Gafanha da Nazaré (1923-1997) cujo legado serve de inspiração ao festival de robertos e marionetas promovido na sua terra natal. Aos 15 anos, já fazia as suas primeiras exibições, dando vida a personagens como o barbeiro, o touro, o toureiro, o diabo ou o padre, entre outros. Parte dessa sua arte está, agora, contada numa exposição que é inaugurada ao final da tarde desta sexta-feira, no âmbito da edição deste ano do Palheta, evento que se estende até domingo.

Mais do que ser parte do programa do festival, a mostra “Na ponta da língua” vai passar a ser uma presença constante na Fábrica das Ideias, apresentando parte do espólio de Armando Ferraz e algumas referências ao Palheta. “Não é uma exposição sobre objectos, é partir desses objectos para contar uma história, neste caso, a história dos robertos e marionetas e da sua relação com o território”, destaca Nuno Coelho, designer que assumiu a produção desta espécie de núcleo museológico do Palheta.

Uma marca mais do que merecida, tanto mais porque o festival vai já para a sua terceira edição – nasceu da Mostra de Robertos e Marionetas, criada em 2013 – e não pára de crescer. Na região e fora dela. “Os projectos têm de ter sempre esta dimensão local e global. Se não tiver dimensão local é uma colónia de férias para quem vem de fora e se não tiver uma perspectiva global torna-se muito provinciano”, destaca Luís Ferreira. Para o director do 23 Milhas, projecto cultural ilhavense responsável pela organização do evento, o Palheta “tem esse equilíbrio” entre local e global.

Espectáculos de abertura

Depois de um dia e uma manhã e tarde inteiramente dedicados às escolas e seniores, esta sexta-feira à noite (21h00), o Palheta abre as portas a todo o público. O pontapé de saída é dado com O triunfo da palavra, espectáculo sobre alguns dos mais célebres oradores políticos do século XX que foram ditadores implacáveis e não pouparam opositores, na Fábrica das Ideias. Segue-se L’Après-midi D’un Foehn, da Compagnie Non Nova, na Escola Secundária da Gafanha da Nararé (pelas 22h30 e com direito a outra sessão no sábado, pelas 18h30).

A programação prossegue no sábado e domingo – o encerramento estará a cargo da companhia espanhola Ángeles de Trapo, com o espectáculo Viajeros del carrusel (domingo, às 17h30) – e volta a reservar lugar de destaque a um espectáculo comunitário. Contraventos é a produção que tomará conta das ruas da Gafanha da Nazaré, na tarde de domingo (15h30) e que conta com a participação activa da comunidade local.

Referência, ainda, para a incursão do Palheta nos estabelecimentos comerciais daquela cidade. À semelhança do ano passado, será promovido um percurso artístico pelos vários estabelecimentos comerciais da Gafanha da Nazaré para trabalhar a identidade de um local que está fortemente ligado, desde sempre, às marionetas. O percurso é orientado por Vera Alvelos e acontece no sábado, pelas 11h00.

Outro dos momentos altos do programa acontece na noite de sábado (22h00), na Fábrica das Ideias. A Fanfarra Káustika juntou-se à companhia Radar 360º e prometem brindar o público com um espectáculo único. “A música será o narrador, com um só tema, non stop ao longo de mais de uma hora. E ao longo deste tema teremos pequenos excertos de trabalhos destes 15 anos da Radar 360º”, desvenda António Franco de Oliveira, da companhia de teatro.

Os bilhetes para os espectáculos custam entre 3 e 8 euros, à excepção do percurso pelo comércio local, a exposição de robertos e marionetas, os espectáculos de teatro Dom Roberto (por Valdevinos e Mãozorra) e o espectáculo comunitário, que são gratuitos.

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