Nova espécie encontrada na Fossa das Marianas já tinha plástico

A nova espécie foi baptizada de Eurythenes plasticus, devido ao plástico que tinha ingerido.

<i>Eurythenes plasticus</i>
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Eurythenes plasticus DR

A 6900 metros de profundidade, em plena Fossa das Marianas, foi descoberta uma nova espécie de anfípode, pertencente à ordem dos crustáceos. Mesmo nesta parte do oceano Pacífico, o lugar mais profundo do planeta, esta espécie já foi encontrada com plástico. Por isso, foi baptizada com o nome científico de Eurythenes plasticus. O anúncio é feito esta quinta-feira na revista científica Zootaxa.    

Já vai sendo bem conhecida a longa viagem que os plásticos fazem até chegarem aos organismos marinhos. Num comunicado da World Wide Fund for Nature (WWF) – que apoiou esta investigação –, destaca-se que “como a maior parte do lixo plástico não pode ser reciclado, acaba por ser queimado ou despejado em aterros”. Acaba assim por chegar aos rios e oceanos. Aqui, vai espalhar-se pelas águas e decompor-se em microplásticos e nanoplásticos. Com estas dimensões minúsculas, torna-se fácil que o plástico seja ingerido pelos organismos marinhos.

No Eurythenes plasticus foi encontrado polietileno tereftalato (PET), uma substância existente numa grande quantidade de itens domésticos de uso comum, como garrafas de água e roupa. “Decidimos nomeá-lo Eurythenes plasticus, pois queríamos destacar o facto de precisarmos de tomar medidas imediatas para impedir o dilúvio de resíduos plásticos nos nossos oceanos”, diz no comunicado Alan Jamieson, chefe da missão de investigação e da Universidade de Newcastle, no Reino Unido.

PÚBLICO -
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Partícula de plástico encontrada em exemplar da espécie Eurythenes plasticus DR

Mesmo assim, Catarina Grilo (directora de Conservação e Políticas da ANP/WWF – Associação Natureza Portugal/World Wide Fund for Nature) ressalva que nem todos os espécimes da Eurythenes plasticus foram encontrados com plástico. “Ainda há esperança de que muitos mais espécimes de E. plasticus sejam isentos de plástico e que o seu nome sirva apenas de lembrança da extensão da poluição marinha por plásticos no mundo”, refere também no comunicado.

Já Heike Vesper, director do programa marinho da WWF da Alemanha, diz que esta espécie nos mostra as consequências tão abrangentes da nossa utilização excessiva e fraca gestão dos plásticos. “Existem espécies que vivem nos lugares mais profundos e remotos da Terra que já ingeriram plástico antes mesmo de serem conhecidas pela humanidade”, alerta. Uma delas tornou-se agora uma das caras da crise da poluição do plástico.