Portugal tem mais dez hospitais aptos a receber doentes de Covid-19

Portugal continua sem casos confirmados de doença. Linha SNS 24 e Linha de Apoio Médico também foram reforçadas para dar resposta ao aumento de contactos. Situação de Itália fez disparar casos suspeitos em Portugal.

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paulo pimenta

Portugal está a reforçar a resposta face ao aumento de casos suspeitos de infecção Covid-19, provocada pelo novo coronavírus detectado na China no final de 2019. A situação da Itália, que é neste momento o maior foco de casos na Europa, fez disparar os contactos para o Centro de Contacto SNS 24 e para a Linha de Apoio Médico que já foram reforçadas com mais meios. O país tem mais dez hospitais aptos a receber casos suspeitos e doentes confirmados.

Ao final do dia, através de comunicado, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) confirmou que até às 18 horas desta sexta-feira Portugal continuava sem casos positivos. De acordo com o boletim, dos 59 casos suspeitos registados até ao momento, 57 tiveram resultado negativo nos testes laboratoriais. “Nas últimas 24 horas foram registados sete novos casos” suspeitos. “De acordo com a informação actual, o risco para a saúde pública em Portugal é considerado moderado a elevado”, lê-se no boletim.

“A Itália passou a ser um foco muito importante de doença. Há quatro áreas de transmissão comunitária, sendo a região de Lombardia, onde está Milão, a mais afectada. Praticamente de um dia para o outro, esta situação da Itália tornou-se explosiva. Juntou-se o carnaval e muitas feiras que estavam a decorrer”, explicou a directora-geral da Saúde em conferência de imprensa, ao início da tarde desta sexta-feira.

Razão pela qual o número de chamadas para o SNS 24 e para a Linha de Apoio Médico disparou nos últimos dias. Assim como o número de casos suspeitos em investigação, que segundo Graça Freitas vieram quase todos de Milão. No comunicado emitido na quinta-feira ao final do dia, a Direcção-Geral da Saúde  dava conta 26 novos casos suspeitos em 24 horas. “Reflecte bem o caso de Itália vertido para Portugal”, disse Graça Freitas, referindo que o SNS 24 (808 24 24 24) “recebeu centenas de chamadas” e a Linha de Apoio Médico, dirigida aos profissionais de saúde, “dezenas de contactos”.

Em termos hospitalares o dispositivo disponível aumentou para dar resposta a esta nova situação. “Temos identificados dez hospitais de referência para esta segunda fase de contenção e dois já a funcionar. No Porto, o Hospital de Santo António está activável e pode internar casos suspeitos e o Hospital Pediátrico de Coimbra, que ontem [quinta-feira] internou uma criança e cujos testes foram negativos”, explicou Graça Freitas.

No Norte, além do Hospital de Santo António, estão também aptos para receber doentes o Hospital de Braga, a Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos e o Centro Hospitalar Tâmega e Sousa. Na zona Centro, a ULS da Guarda junta-se ao Pediátrico de Coimbra. Na região de Lisboa e Vale do Tejo, a resposta está reforçada com a disponibilidade do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte (Hospital de Santa Maria e Hospital Pulido Valente) e do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Ocidental (Hospital de Egas Moniz e Hospital de São Francisco Xavier). No Alentejo, a ULS Litoral Alentejano está apta a internar doentes de Covid-19 e no Algarve a resposta também está assegurada através do Centro Hospitalar Universitário do Algarve.

Caso exista uma escalada de casos, poderão ser activados meios no sector privado e social, referiu a directora-geral da Saúde. Graça Freitas voltou a referir que o Serviço Nacional de Saúde tem disponíveis mais de 2000 camas de isolamento, sendo que destes cerca de 300 têm pressão negativa. Os restantes, explicou, são camas sem pressão negativa.

O excesso de chamadas obrigou a reforçar os meios para dar resposta à procura. “Na Linha de Apoio Médico houve pico de afluência, que muitas vezes coincidia com chegada de aviões. Houve uma resposta que não foi a óptima, mas reforçamos a linha prevendo que possam haver novos focos [da doença] na Europa.” O primeiro reforço foi feito há dois dias e outro já está a ser preparado para permitir que os médicos sejam atendidos tempo útil. Também o SNS 24 já foi reforçado com mais recursos humanos.

O mesmo aconteceu com a rede nacional de laboratórios, como a directora-geral da Saúde já tinha referido. Questionada sobre o facto de existirem entidades privadas, como laboratórios de análises clínicas, já aptos a fazer os testes de rastreio, Graça Freitas explicou que essas entidades estão certificadas e que deverão seguir os protocolos para a realização dos testes. Sempre que houver um caso positivo “têm obrigatoriamente de notificar” o resultado.

Recomendações para evitar transmissão

Graça Freitas voltou a insistir nas recomendações que podem ajudar a prevenir a transmissão do vírus. Admitindo que “podemos ter uma epidemia” em Portugal ou uma situação mundial de pandemia, a directora-geral da Saúde defendeu a necessidade da existência de planos de contingência, mesmo em termos familiares.

Para quem chega de áreas com transmissão comunitária activa do novo coronavírus — Norte de Itália, China, Coreia do Sul, Singapura, Japão ou Irão —, a primeira recomendação é que durante os 14 dias seguintes vigie o seu estado de saúde. Deve estar atento a tosse, dificuldades respiratórias, medir a febre de preferência duas vezes por dia e se surgir algum sintoma, ligar para a Linha SNS 24 (808 24 24 24).

“Outra linha que não podemos deixar de insistir é na higiene das mãos”, disse Graça Freitas, referindo que devem ser lavadas várias vezes ao dia com água e sabão ou com uma solução alcoólica. Deve tossir e espirrar para o cotovelo e ter algum distanciamento social, que na prática passa por dar menos abraços e beijos e evitar estar em zonas muito frequentados e fechados.

Também para as escolas a recomendação é que se mantenha a vida normal, evitando-se actividade não essenciais como jogos ou festas em grupo. Não há qualquer indicação para o encerramento de escolas nem que crianças que tenham chegado de locais onde há infecção, e não estejam doentes, tenham de ficar em isolamento.

“Muitas escolas em Portugal, e não só, receberam crianças vindas de Itália. A vida deve continuar com tranquilidade. Não interromper o que é essencial à vida, mas não custa suspender durante 14 dias coisas menos essenciais como jogos [em grupo] ou assistir a bandas. É esse bom senso que pedimos às pessoas”, disse Graça Freitas, referindo que as indicações dadas às escolas foram feitas em articulação com o Ministério da Educação.

Quanto ao uso de máscaras, não está recomendado à população em geral. Têm indicação para as usar pessoas que estão doentes e profissionais de saúde.