Líder da Área Metropolitana diz que críticas sobre expansão do Metro do Porto são “fumaça”

Para o autarca, o protocolo para o estudo da expansão da rede de metro do Porto “é uma vitória” para a AMP para a qual muito trabalhou.

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Paulo Pimenta

O presidente da Área Metropolitana do Porto disse nesta sexta-feira que as críticas sobre como geriu o processo de expansão da rede de metro são “fumaça” e voltou a acusar os autarcas de utilizar aquele órgão para fins político-partidários.

“O facto de haver eleições internas nos partidos, às vezes cria a necessidade de alguns aparecerem na comunicação social à custa da área metropolitana, quando não aparecem à custa dos seus próprios méritos municipais”, disse Eduardo Vítor Rodrigues em declarações aos jornalistas no final da reunião do Conselho Metropolitano (CmP) de hoje.

Garantindo não se sentir injustiçado, o presidente do CmP assinalou: “a verdade é uma, o protocolo foi assinado por todos”.

“E eu vou trazê-lo para aprovar e tenho a impressão que vai ser aprovado por todos que o assinaram. Tudo o resto é fumaça. É preciso ter paciência e tranquilidade para liderar uma área metropolitana muito heterogénea”, também “nas dinâmicas partidárias”, declarou.

“Confio na justiça divina, confio na justiça do povo, mais do que isso não espero”, rematou, sublinhando que o que fez, fê-lo para tentar evitar que se excluíssem linhas, como é o caso da Trofa, cuja ligação já tinha sido posta de parte pela tutela.

Na reunião do CmP, Vítor Rodrigues voltou nesta sexta-feira a ser criticado pela forma como conduziu o processo que deu origem ao protocolo de estudo e expansão da rede de metro do Porto, assinado a 21 de Fevereiro com o Governo, tendo sido acusado de tomar decisões sem prestar contas aos municípios que compõem o Conselho Metropolitano aquele órgão.

O presidente da Câmara de Espinho foi o primeiro a demonstrar o seu desagrado e, salientando não querer entrar na discussão “o meu metro é maior do que teu”, sublinhou que o tema devia ter sido discutido com todos os municípios.

Também os autarcas de Vila do Conde e da Trofa voltaram a sublinhar a suas posições face à forma apressada como foi formalizado este protocolo, tendo sido acompanhados por Valongo, cujo autarca questionou se quem decide as obras que devem ser feitas no âmbito do Programa Nacional de Investimentos (PNI) para 2030 é o presidente da Câmara de Gaia e presidente do CmP e não o parlamento.

Já o presidente da Câmara de Gondomar lamentou a postura de alguns autarcas, criticando que tenham “conseguido transformar uma coisa boa, num circo político”.

O autarca que, em conjunto com os municípios do Porto e da Maia, tem assento no Conselho de Administração da Metro do Porto, lembrou que há muito que vinha a ser pedida a actualização dos estudos, mas sem sucesso, e avançou que, para a semana, os autarcas vão ser chamados um a um para apresentarem as suas propostas.

Também o presidente da Câmara da Maia saiu em defesa de Vítor Rodrigues, salientando que o essencial é aproveitar esta oportunidade e maximizá-la em termos de valores.

Durante a discussão, que durou cerca de uma hora, Vítor Rodrigues reiterou por diversas vezes que não foi tomada qualquer decisão, garantindo que o que está em causa é apenas o compromisso do Governo na actualização dos estudos já realizados pela Metro.

Para o autarca, o protocolo para o estudo da expansão da rede de metro do Porto “é uma vitória” para a AMP para a qual muito trabalhou.

Quanto às linhas de metrobus, o presidente do CmP diz estar tudo em aberto e mostrou-se disponível para continuar a fazer a ponte entre os municípios e a Metro do Porto.

A AMP propôs ao Governo avançar com os estudos de viabilidade económica em sete linhas do metro do Grande Porto, cuja expansão será decidida até ao final do ano.

O protocolo foi assinado pelos municípios directamente envolvidos: Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa do Varzim, Trofa, Vila do Conde e Vila Nova de Gaia.

Em causa estão cerca de 860 milhões de euros do PNI 2030, sendo que cerca de 620 milhões de euros se destinam à consolidação da rede do Metro do Porto e 240 milhões de euros são para o desenvolvimento de sistemas de transportes colectivos. As verbas deverão ser executadas entre 2021 e 2030.

Nas sete ligações propostas pela AMP estão as ligações Casa da Música-Devesas-Santo Ovídeo, prolongamento da linha circular (Casa da Música-Polo Universitário da Asprela ou Combatentes), Gondomar (Campanhã-Souto, via Valbom), São Mamede (Polo Universitário Asprela/Fonte do Cuco), ISMAI--Trofa, Campo Alegre e II Linha da Maia (pólo Universitário Asprela/FEUP - Maia).