Portugueses compraram menos aparelhos Huawei em 2019

A sul-coreana Samsung e as chinesas Xiaomi e TCL ficaram a ganhar em Portugal com conflito entre Huawei e EUA.

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Em 2019 os portugueses gastaram cerca de 890 milhões de euros em novos telemóveis SEBASTIAO ALMEIDA

Embora a Huawei continue a ser a segunda marca de telemóveis mais vendida em Portugal, há menos pessoas a comprar aparelhos da marca chinesa desde de que os telemóveis deixaram de vir com os serviços do Google pré-instalados. Nos últimos três meses do ano, foram vendidos menos 95 mil telemóveis da Huawei em Portugal do que no mesmo período de 2018 – o equivalente a uma queda de 35,7% de acordo com dados divulgados recentemente pela consultora IDC.

“Quem mais ganhou com a queda da Huawei em Portugal foi a Samsung, mas TCL e a Xiaomi também estão a conquistar terreno”, disse ao PÚBLICO Francisco Jerónimo, analista da IDC em Londres. “É possível que a Huawei não acabe 2020 no top três português.”

De acordo com o analista, a queda da Huawei foi maior no final do ano depois do lançamento dos topos de gama Mate 30 e Mate 30 Pro, que foram os primeiros da marca a chegar ao mercado sem as aplicações do Google pré-instaladas e sem acesso à loja do Google para as instalar. A tendência repete-se noutros países do Ocidente. “Os serviços como o Maps, o YouTube e o Gmail ainda são muito fortes”, diz Jerónimo. “O facto da queda em Portugal não ter sido maior resultou de uma forte campanha por parte da Huawei, com fortes descontos em muitos dos telemóveis.”

Foi em Maio de 2019 que a Huawei se viu impedida de usar serviços e ferramentas da norte-americana Google depois de a administração de Donald Trump incluir a empresa chinesa numa “lista negra”. Como tal, os mais recentes aparelhos da Huawei vêm com o sistema operativo EMUI 10, que é uma versão em código aberto do sistema operativo do Google que está disponível para qualquer pessoa.

“Ainda é muito cedo para saber se isto vai resultar”, diz Francisco Jerónimo. Embora a empresa chinesa esteja a oferecer incentivos financeiros para motivar programadores a desenvolverem aplicações compatíveis com o EMUI 10, o mercado ocidental é dominado pelo Android do Google e pelo iOS da Apple, existindo pouco espaço para outras soluções. Em 2017, a Microsoft desistiu de desenvolver o seu sistema operativo para telemóveis, o Windows Phone, devido à falta de oferta de aplicações para a plataforma.

Apesar de existirem formas de instalar aplicações e serviços do Google nos novos telemóveis da Huawei, o gigante norte-americano está a recomendar que os utilizadores não o façam devido ao “alto risco de instalar uma aplicação que foi alterada ou modificada em formas que podem comprometer a sua segurança”.

TCL e Xiaomi ganham terreno num mercado em queda

Ao todo, em 2019 os portugueses gastaram cerca de 890 milhões de euros em novos telemóveis. Apesar de a Huawei manter o segundo lugar do pódio, houve uma queda de 18,1% na receita dos telemóveis daquela marca em 2019 – cerca de 49 milhões de euros a menos – devido à estratégia da marca para escoar modelos antigos com o Android do Google, através de campanhas de descontos. 

Como já é habitual, a sul-coreana Samsung acabou 2019 a liderar o pódio português com 229,627 telemóveis enviados para retalho – o equivalente a 31,7% do mercado – e uma receita de cerca 309 milhões de euros nas vendas.

Embora a TCL e a Xiaomi surjam em quarto e quinto lugar respectivamente, atrás da Apple que teve um forte quarto trimestre, o número de aparelhos vendidos em Portugal por estas duas marcas aumentou significativamente. Nos últimos três meses de 2019, a TCL vendeu mais 24,7 mil telemóveis em Portugal do que no mesmo período de 2018 (um aumento de 69,8%), e a Xiaomi vendeu mais 12,5 mil telemóveis (mais 42,3%)

Os dados da IDC relativos ao mercado português também mostram que os portugueses estão a comprar menos telemóveis. Em 2019, foram vendidos menos 5,4% de telemóveis que em 2018 – o equivalente a cerca de 148 mil telemóveis. É outra tendência global. “Já se esperava uma queda no mercado em 2019. E em 2020 deve continuar a cair. Só deve voltar a subir depois, com a maior adopção do 5G”, nota Jerónimo, apontando as novas redes 5G e o aumento da oferta de telemóveis com ecrãs dobráveis como as tendências para os próximos anos. São mercados em que a Huawei e a Samsung estão a apostar, com o lançamento de topos de gama com ecrãs dobráveis que são compatíveis com as novas rede 5G.

Esta semana, a Samsung anunciou que o seu mais recente dobrável, o Galaxy Z Flip, apresentado a 11 de Fevereiro, já esgotou. “Os dados da Samsung ainda querem dizer pouco. Quantas unidades havia disponíveis? Não seriam certamente milhões”, nota o analista da IDC. “Vão-se tornar uma tendência maior daqui a uns anos, com o aparecimento de mais dobráveis a preços mais interessantes.”

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