Opinião

Cartas ao director

Legislar pela saúde

Vimos recentemente no Parlamento uma discussão precipitada e, segundo vários especialistas, não suficientemente refletida e ponderada sobre a legalização da eutanásia. Aparentemente, haveria uma enorme urgência, a justificar essa pressa. Uma urgência difícil de entender, até porque há apenas quatro meses nenhum dos maiores partidos se deu ao trabalho de incluir este tema sensível e controverso nos seus programas e campanhas eleitorais. Ao mesmo tempo, a ameaça do coronavírus chega à Europa, não se sabendo muito bem como o combater, exceto tentando limitar a sua propagação, isolando pessoas e comunidades. Portugal será um dos poucos países em que esse isolamento não pode ser imposto, dado que a quarentena compulsiva não tem enquadramento legal neste contexto. Portanto, pensar em rever esse enquadramento legislativo como precaução contra uma eventual (certa?) chegada do vírus não é prioritário; a eutanásia, essa sim. O sentido das prioridades para aquele pessoal em S. Bento não andará um pouco desalinhado dos anseios e necessidades da população que representa?
Carlos J. F. Sampaio
Esposende

Recursos na saúde

(...) A questão suscitada na Assembleia da República sobre a eutanásia poderá não ser uma questão pacífica, porque mais do que política é uma questão de valores de vida e que diz respeito à liberdade individual de cada um, onde não existe a capacidade de avaliarmos o grau de sofrimento do outro, pelo que a prioridade governativa deveria ser, entre outras, a de dotar o sistema nacional de saúde com pessoas qualificadas e respostas adequadas para responder às necessidades dos cidadãos, minimizando o sofrimento e a incapacidade física por que passam alguns, onde a questão de poupança de recursos parece ser mais importante do que a preservação da vida.
Américo Lourenço
Sines

Vasco Pulido Valente 

Nem sempre concordei com Vasco Pulido Valente. Muitas vezes me senti atingido, incomodado e ofendido como “indígena” e elemento da “populaça” e da “canalha”. Nunca simpatizei com a alcunha “geringonça” atribuída a um histórico governo, embora seja uma belíssima palavra e tenha sido (bem) atribuída por V.P.V. só ao PS pré-costista, voando depois por várias bocas e muitas más-línguas. Mas isto não me impede de afirmar o quanto a sua escrita me proporcionou esse “prazer do texto” e o quanto as suas mãos abrilhantaram a crónica (do presente e do passado) em língua portuguesa e enriqueceram “esta ditosa pátria”. É a escrita de V.P.V. uma prosa ácida, sim, irónica, também, mas também humorada, até por vezes bem-humorada, se a lermos bem, e, acima de tudo, incisiva, límpida, perfeitíssima e, embora ele talvez abominasse tal designação, poética. Para o bem, e para o mal, ou para além do bem e do mal, de mal a melhor, sei bem o quanto devo a V.P.V., como leitor e também escrevinhador aqui e ali. O resto é conversa. 
Nelson Bandeira
Porto

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