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Europa em alerta. Sete casos de Covid-19 em Espanha e 11 mortos em Itália

A Itália está a assistir a um aumento exponencial de casos positivos do novo coronavírus e já morreram 11 pessoas. A Áustria, Suíça, e Croácia confirmaram entretanto casos positivos. Nas Canárias, mil turistas estão em isolamento num hotel. Além de mortes na China continental, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Hong Kong, Filipinas, França e Taiwan.

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Residentes de San Fiorano, uma das cidades italianas em isolamento Reuters/MARZIO TONIOLO

É um cenário digno de filme. Cidades em quarentena, transportes cancelados, voos suspensos, bolsas em baixa, falta de alimentos nos supermercados, milhares de cidadãos em isolamento em navios, hotéis ou nas suas casas. Depois da China, o novo coronavírus parece estar a testar dispositivos de saúde e consequente resposta dos países europeus (mas não só) a uma epidemia.

Em pouco mais de três dias, Itália assistiu a um aumento exponencial de casos positivos: se até sexta-feira estavam contabilizadas apenas três pessoas infectadas com o vírus, e todas elas identificadas como recém-chegadas da cidade chinesa de Wuhan – onde o surto começou no final do ano passado –, esta terça-feira morreram mais três pessoas, elevando o balanço total para 11.

Os casos dos últimos dias estão a provocar uma corrida às máscaras. Esta terça-feira, as autoridades judiciais italianas abriram uma investigação à rápida escalada dos preços de venda online de produtos como máscaras clínicas e frascos de gel desinfectante, com vice-procuradora-geral de Milão, Tiziana Siciliano, a denunciar “preços absurdos”.
"O preço online das máscaras subiu de um cêntimo para dez euros cada e o de um frasco de um litro de gel desinfectante que há uma semana custava sete euros subiu ontem para 39 euros”, exemplificou, citada pela Reuters.

Itália soma já o equivalente a cerca de um terço das mortes fora da China, com mais de 300 casos confirmados, mas continua à procura do seu “paciente zero” e aperta as medidas de contenção. As tomadas de posição mais mediáticas foram a interrupção do Carnaval de Veneza, que chegou ao fim no domingo e devia terminar apenas esta terça-feira.

No entanto, as medidas com mais impacto para os cidadãos italianos foram as de contenção anunciadas este fim-de-semana para dez localidades, e onde vivem ao todo cerca de 50 mil pessoas: Véneto, Piamonte e Lombardia são as regiões críticas.

Por enquanto, o padrão de mortes registado em Itália é semelhante ao verificado na China. São as pessoas mais idosas e com doenças associadas, como cancro, diabetes, doenças respiratórias e outras que deprimam o sistema imunitário, que estão a ser mais afectadas.

Casos confirmados em países vizinhos

Entretanto, ali bem perto, Áustria, Croácia e Suíça confirmaram casos de infecção. O primeiro-ministro croata, Andrej Plenković, confirmou o primeiro caso de infecção no país dos Balcãs. “O paciente está numa clínica de doenças infecciosas em Zagreb. É uma pessoa mais jovem e tem sintomas ligeiros. Está em isolamento e a sua condição é positiva, de momento”, explicou o governante citado pelo The Guardian.

Minutos antes era a Áustria a confirmar os dois primeiros casos detectados. Uma porta-voz da autoridade de saúde da província de Tirol — que faz fronteira com a região Norte de Itália — confirmou que dois italianos acusaram positivo no controlo do coronavírus. Os órgãos de comunicação social locais afirmam que o governador desta província austríaca, Guenther Platter, adiantou que os dois homens tinham viajado recentemente até à região da Lombardia, uma das mais afectadas no país vizinho, apontando essa deslocação como a causa provável de infecção.

A Espanha soma já o sétimo caso — o Governo regional da Catalunha confirmou hoje o primeiro caso na comunidade autónoma, assim como Valência e Madrid. O hotel H10 Costa Adeje Palace, na zona Sul da ilha de Tenerife, nas Canárias, foi colocado hoje em quarentena pelas autoridades espanholas. Cerca de mil turistas no seu interior estão em isolamento e vão ser submetidos a exames médicos. Isto porque, na segunda-feira, um turista italiano que ali estava hospedado foi diagnosticado com o novo coronavírus Covid-19.

Apesar da detecção de novos casos nos últimos dias em alguns países europeus, os países vizinhos de Itália decidiram não repor as suas fronteiras, “Acordámos manter as fronteiras abertas, uma vez que fechá-las seria uma medida desproporcional e pouco eficiente nesta altura”, disse o ministro da Saúde italiano, Roberto Speranza, na sequência de uma reunião com os homólogos europeus, citado pela Reuters.

Portugal reforça medidas de prevenção

Portugal está a reforçar as medidas de prevenção e a rede de laboratórios e hospitais disponíveis para receber casos suspeitos de infecção pelo novo coronavírus, o Covid-19. Também a informação nos aeroportos está a ser reforçada e os voos vindos de Itália, que está a viver o maior surto da doença na Europa, terão distribuição de panfletos com a indicação dos critérios para caso suspeito e o número da linha SNS 24, para onde as pessoas devem ligar.

Até agora todos os casos suspeitos em Portugal tiveram resultados negativos. À hora de fecho deste jornal, estavam a ser analisados dois casos suspeitos em Portugal — dois cidadãos que regressaram recentemente de Milão.

Esta terça-feira, falando à margem de uma iniciativa na Amadora, Marcelo Rebelo de Sousa disse que é “impossível” fechar as fronteiras e que a solução é uma “acção conjunta como se está a fazer agora”.

Adriano Maranhão, português infectado com o Covid-19 no Diamond Princess, um navio de cruzeiros no Japão, foi transferido esta terça-feira para um hospital na cidade de Okazaki, na província de Aichi, disse à Lusa a sua mulher, Emmanuelle Maranhão. A esposa de Adriano Maranhão afirmou que esta manhã, o marido estava a ser transportado de autocarro em direcção ao Fujita University Health Hospital, um hospital recém-construído e cuja inauguração estava prevista para Abril.

Coreia do Sul aumenta nível de alerta

Mas não é só na Europa que se luta contra o Covid-19. Entretanto, as autoridades sul-coreanas preparam-se para submeter a exames médicos mais de 220 mil pessoas pertencentes a um culto religioso. O Governo considera que esta organização, a Igreja de Jesus de Shincheonji, desempenhou um papel fundamental na propagação do novo coronavírus (Covid-19) no país. O líder deste grupo aceitou ceder às autoridades a identificação dos membros, para que estes possam ser alvo de controlo clínico. 

No domingo, a Coreia do Sul declarou o mais elevado nível de alerta, devido ao número de casos de infecção pelo novo coronavírus, que atingiu 602, com seis mortos. Mais de metade dos casos estão relacionados com uma cerimónia religiosa na cidade de Daegu, no sudeste do país, em que participou uma mulher de 61 anos, que não viajou para fora do país, mas que é considerada a paciente “zero” sul-coreana.

Além de mortes na China continental, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Hong Kong, Filipinas, França e Taiwan. Hoje, a Organização Mundial de Saúde (OMS) deixou um aviso a todos os países: o especialista que liderou a equipa da OMS enviada à China disse que o mundo “simplesmente não está pronto” para enfrentar a epidemia do novo coronavírus.

“Devemos estar prontos para gerir isto [uma epidemia] a uma grande escala, e isso deve ser feito rapidamente”, mas o mundo “simplesmente não está pronto”, disse Bruce Aylward em conferência de imprensa em Genebra, referindo-se à possibilidade de se verificar uma pandemia do novo coronavírus, Covid-19. “Não estamos prontos como deveríamos”, tanto do ponto de vista “psicológico” quanto “material”, afirmou.

O balanço provisório da epidemia do coronavírus Covid-19 é de 2707 mortos e cerca de 80.300 pessoas infectadas em cerca de 30 países, de acordo com os últimos dados.

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