Tempo de espera em metade das cirurgias do IPO Lisboa ultrapassa limite legal

Apesar da espera, apenas 1% dos doentes aceita o vale-cirurgia que permite realizar intervenções no sector privado. Presidente do IPO de Lisboa invoca aumento de complexidade de tratamentos e constrangimentos provocados pelas obras de requalificação do bloco operatório.

IPO de Lisboa
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IPO de Lisboa Rui Gaudêncio/ARQUIVO

Mais de metade dos pacientes operados no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa tem de esperar mais do que o período máximo permitido por lei, avança a TSF. Apesar de o tempo de espera prolongado na maior parte das cirurgias (51%), apenas 1% dos doentes aceitam o vale-cirurgia que lhes permite realizar a intervenção cirúrgica no privado.

Os dados fornecidos à TSF mostram que o IPO de Lisboa emitiu 2614 vales-cirurgia, documento entregue por um hospital do serviço público de saúde que não consegue realizar determinada cirurgia no prazo legal considerado o indiciado para a intervenção. Em 2019, apenas 27 doentes (cerca de 1%) aceitaram fazer a transição para o serviço privado de saúde.

Os tempos médios de espera sobem de forma constante há três anos: em 2017, os pacientes tinham de esperar em média 105 dias por uma cirurgia; em 2018, os prazos subiram para 112 dias; em 2019, deu-se o aumento mais acentuado, com as cirurgias a ter um tempo médio de espera de 149 dias.

Em declarações à TSF, o presidente do IPO de Lisboa, João Oliveira, aponta o aumento da complexidade dos tratamentos na área do cancro como um dos factores responsáveis por estes números. “Operações mais prolongadas obrigam-nos a fazer menos cirurgias e a tratar menos doentes de cada vez”, justifica.

O responsável revela ainda os constrangimentos causados pelas obras de requalificação e ampliação do bloco operatório. Quanto ao baixo número de pacientes que aceita os vale-cirurgia, João Oliveira considera que os pacientes preferem aguardar para serem atendidos por uma entidade especializada em doenças oncológicas.

Mais 19 mil cirurgias em 2019

Os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) realizaram, em 2019, mais 19 mil cirurgias do que em 2018. A revelação é feita pelo Correio da Manhã, que cita dados do Ministério da Saúde, onde se detalha que no ano passado as unidades de saúde públicas fizeram 614.501 intervenções cirúrgicas, um crescimento de 3,3% face a 2018.

A emissão de vale-cirurgia seguiu a rota oposta: no ano passado, foram emitidos 249.962 vales, menos 962 do que em 2018. Foram encaminhados para os hospitais privados e sociais 66.220 cirurgias, realizadas principalmente Ortopedia, Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia Geral.

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