Mais uma morte por coronavírus no Irão, e redes sociais fervilham de desconfiança das autoridades

O centro de dispersão do vírus parece ser a cidade santa xiita de Qom. Países vizinhos cortam ligações aéreas com o Irão e na Internet os cidadãos dizem temer que o Governo não esteja a revelar a verdadeira dimensão da crise de saúde pública.

Hankook Ilbo
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Na fila para votar nas eleições legislativas de sábado, com máscara para se protegerem do coronavírus ABEDIN TAHERKENAREH/EPA

As autoridades iranianas anunciaram este sábado a morte de uma pessoa infectada pelo coronavírus e a detecção de mais dez casos, elevando o número total de mortos para cinco e o de pessoas infectadas para 28.

A doença espalhou-se já a várias cidades, disse um porta-voz do Ministério da Saúde, mas a maioria dos casos registou-se na cidade santa xiita de Qom, a cerca de 120 km a sul da capital, Teerão.

As autoridades de saúde apelaram na sexta-feira à suspensão de todas as reuniões religiosas na cidade santa e foram suspensas as viagens de peregrinação religiosa rumo aos santuários iraquianos, para não espalhar ainda mais o vírus, noticiou a agência iraniana Fars, citada pela Reuters.

A companhia aérea Iraqi Airways suspendeu as ligações aéreas para o Irão, tal como a Kuwait Airways, já desde quinta-feira.

No entanto, o novo coronavírus já se espalhou a outros países do Médio Oriente, embora pareçam ter ligação ao Irão: os Emirados Árabes Unidos anunciaram a descoberta de dois novos casos este sábado – um casal de turistas iranianos –, o que eleva o número total naquele país para 13. O Líbano confirmou o seu primeiro caso na sexta-feira: uma mulher de 45 anos, que tinha estado em Qom.

A revelação de um número elevado de casos de doença e morte devidas ao coronavírus no Irão desencadeou críticas e acusações nas redes sociais iranianas de que as autoridades estariam a tentar encobrir uma crise de saúde pública. Tudo isto se passa, além do mais, durante o período das eleições legislativas - que decorreram na sexta-feira. Agora procede-se à contagem dos votos, manualmente.

Algumas pessoas comparam a forma como a crise do coronavírus está a ser tratada por Teerão com a tragédia que foi o abate, por erro, do avião de passageiros da Ukranian Airlines, a 8 de Janeiro, pelos Guardas da Revolução, matando as 176 pessoas a bordo.

Inicialmente, as autoridades iranianas negaram qualquer responsabilidade, embora mais tarde se vissem forçadas a admitir que o avião tinha sido derrubado por erro, num momento em que esperavam a retaliação dos Estados Unidos pelo ataque a bases norte-americanas no Iraque, em resposta ao assassínio do general iraniano Qassem Soleimani. Esta sucessão de eventos indignou muitos iranianos, que foram para a rua protestar.

O ministro da Saúde iraniano, Saeed Namaki, fez uma referência aos rumores online sobre uma tentativa das autoridades para esconder a dimensão da crise de saúde causada pelo coronavírus, garantindo que toda a informação seria disponibilizada logo que estivesse disponível.