Duas mortes por coronavírus em Itália e seis dezenas de infecções

Mulher é a terceira vítima mortal do Covid-19 em território europeu. Há pelo menos 59 pessoas infectadas no Norte de Itália, nas regiões da Lombardia e Veneto e Piemonte, e outras 250 estão em observação, a maioria das quais são enfermeiros, médicos e outras pessoas que estiveram em contacto com pacientes.

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Reuters/REMO CASILLI

Em menos de 24 horas as autoridades italianas confirmaram duas mortes no país por causa do novo coronavírus, que tem vários pólos de infecção no Norte do país, com pelo menos 59 casos identificados, e colocou vários municípios de quarentena.

Se a China reportou este sábado uma forte redução no número de novos casos - 397 na sexta-feira, bastante menos que os 889 registados no dia anterior -, noutros locais começam a despontar crises preocupantes. Itália é o ponto mais crítico na Europa, com infecções em três regiões no Norte do país (Lombardia, Véneto e Piemonte).

A maior parte dos casos (39) regista-se na pequena localidade de Codogno, na Lombardia, com cerca de 15 mil habitantes. São dali 35 dos casos confirmados desta região, e era da povoação o primeiro doente identificado com o novo coronavírus em Itália: um homem de 38 anos, que no fim de Janeiro tinha jantado, juntamente com a sua mulher grávida, com um amigo que tinha regressado da China, relata o jornal Corriere della Sera. No entanto, análises feitas ao homem vindo da China não encontraram anticorpos ao vírus, diz o La Repubblica - pelo que não se confirma a suspeita de que teria sido ele a transmitir a infecção ao amigo - que continua internado, mas se encontra estável, a recuperar. O mistério da origem do surto adensa-se.

No entanto, a segunda vítima mortal da doença, uma mulher de 77 anos, esteve no mesmo hospital que paciente de 38 anos, num episódio de urgência, devido a uma crise respiratória, relata o diário italiano. Foi encontrada morta na sua residência neste sábado.

O presidente da câmara de Codogno, Francesco Passerini, ordenou o encerramento de todos os locais públicos, incluindo escolas, serviços e supermercados, durante um período que pode ir até cinco dias. Explicou que a decisão foi tomada porque a confirmação dos casos “criou uma situação de alarme” na zona. A todos foi pedido que fiquem em casa.

A primeira vítima foi um homem de 78 anos, em Pádua. Estava internado no hospital, juntamente com outra pessoa que estava infectada pelo novo coronavírus. Morreu sexta-feira.

A morte da idosa neste sábado em Itália faz subir para três o número de vítimas mortais na Europa relacionadas com o coronavírus, que teve como origem a província chinesa de Hubei. A primeira morte do coronavírus na Europa aconteceu em Paris: um turista chinês de 80 anos natural desta província da China sucumbiu a uma infecção respiratória provocada pelo vírus.

Numa conferência de imprensa neste sábado, o director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, diz que há preocupação quanto ao surgimento de casos sem ligação directa ao país de origem da epidemia: “Apesar de o número total do Covid-19 fora de território chinês continuar relativamente pequeno, estamos preocupados com os casos sem ligação epidemiológica clara, como uma viagem ou contacto com um caso confirmado.” 

A Organização Mundial de Saúde já tinha avisado que a janela de tempo para conter o coronavírus está a diminuir, alertando os Governos dos países afectados de que devem redobrar esforços e financiamento para combater a epidemia.

No total, 29 países (sem incluir a China) foram afectados pela crise de saúde pública. Só em território chinês, foram infectadas mais de 76 mil pessoas, com 2236 mortes confirmadas. Nos restantes países, o número de casos ultrapassa os 1100.