Precários do Estado nas escolas: entram no quadro mas perdem 170 euros

O alerta é lançado pelo sindicato nacional dos psicólogos e a associação dos directores das escolas públicas em declarações à TSF.

Bairro Padre Cruz
Foto
Novos problemas começam a surgir com os precários que trabalham nas escolas Daniel Rocha

A confirmarem-se as previsões do Sindicato Nacional dos Psicólogos (SNP), estes e outros profissionais das escolas que concorreram ao programa de regularização dos precários da administração pública sairão prejudicados.

Isto acontecerá com aqueles que não estiverem no índice de remuneração de entrada, no âmbito do Programa de Regularização Extraordinária de Vínculos Precários na Administração Pública (PREVAP), segundo disseram à TSF os representantes sindicais destes profissionais.

Se por um lado, ficam efectivos, por outro, passam a ganhar menos 170 euros por mês, garantem o SNP e a associação que representa os directores das escolas. E pedem, desde já, uma solução ao Governo.

"Um passo atrás"

Em entrevista a esta rádio, João Freire, presidente do SNP, explica que “quem estiver noutro índice [remuneratório] que não o de entrada, que são 1200 euros, vai passar a receber menos 170 euros, 13% do salário”.

João Freire considerou que, na prática, os profissionais acabam por dar um passo atrás na carreira: “Há alguns trabalhadores que estão há 22 anos em regime de precariedade. Das poucas conquistas que tiveram foi subir um índice remuneratório e agora, passados estes anos, se quiserem efectivar na Função Pública, têm de sofrer esta traição”.

De acordo com o Sindicato, a situação só agora começa a ser revelada porque só agora começam a ser conhecidos, no início do ano, os primeiros despachos de homologação, relativos às candidaturas feitas ao PREVAP em 2017.

O presidente da Associação dos Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, também ouvido pela TSF, prevê um outro problema, quando se sentirem as graves carências de psicólogos nas escolas devido ao PREVAP. E explica: “A meio do ano lectivo os profissionais de uma escola podem acabar nos quadros de outra escola.”

Por isso, apela ao Ministério da Educação para que “no caso dos psicólogos que efectivem noutras escolas onde neste momento não estão a exercer funções, deixe os directores abrirem concurso para substituir essas transferências de escola”.