Autarcas dizem que não foram ouvidos no estudo de expansão do metro do Porto

Os autarcas de Vila do Conde e Trofa criticaram a forma como a Área Metropolitano do Porto formalizou “à pressa” o protocolo para o estudo de expansão da rede de metro do Porto, assinado esta sexta-feira em Gondomar. Este projecto prevê o desenvolvimento de sete linhas e vai ter um investimento de cerca de 860 milhões de euros.

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O investimento em novas soluções de metro e metrobus no Grande Porto deve ser aplicado entre 2021 e 2030. Paulo Pimenta

João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Acção Climática, sublinhou esta sexta-feira que os estudos para o desenvolvimento do metro do Porto e criação de linhas de metrobus vão continuar a ser feitos “de forma completamente transparente”. Uma afirmação proferida na cerimónia de assinatura do protocolo para a consolidação da expansão da rede deste transporte público, decorrida na Câmara Municipal de Gondomar, que colide com a indignação das autarquias de Vila do Conde e Trofa, que dizem não ter sido auscultadas pela Área Metropolitana do Porto (AMP) neste processo.

“Há municípios que não foram chamados a partilhar as suas necessidades”, criticou Elisa Ferraz, presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde, antes de assinar o documento. A autarca assinalou que pretende “participar activamente” dos estudos para a intervenção, que vão contar com um investimento de cerca de 860 milhões de euros, no âmbito do Plano Nacional de Investimento (PNI) 2030, mas conta que “tudo foi feito à pressa” para formalizar este protocolo – que, acusou a independente, terá sofrido revisões e alterações de última hora “ainda ontem [quinta-feira]”.

A Trofa faz parte da planeada expansão, mas, aponta a TSF, o presidente da Câmara receia que a AMP queira avaliar a possibilidade de construção de um serviço de metrobus, em vez de avançar para a reactivação da linha férrea que vem sendo pedida pela população do município “há quase 20 anos”. “Tiraram-nos o comboio com a promessa da vinda do Metro”, fez questão de lembrar Sérgio Humberto depois da cerimónia. O autarca recordou igualmente que “a única linha que estava na primeira fase do Metro do Porto e não foi feita foi a da Trofa”, descrevendo o protocolo oficializado como uma maneira de “atirar areia para os olhos”.

Esta quinta-feira, já o presidente da Câmara de Espinho havia apontado para a “discriminação” de determinados municípios e o clima de “desconfiança” instalado no Conselho Metropolitano do Porto. Para além de, em declarações à Lusa, condenar decisões tomadas “por baixo da mesa”, Joaquim Pinto Moreira decidiu não comparecer na sessão solene em Gondomar, por não ter vontade de desempenhar “o papel de figurante”.

Para o presidente da AMP, o metro do Porto “não serve para decorar a cidade”; serve, sim, “para transportar pessoas onde há pessoas”. Eduardo Vítor Rodrigues lamenta que “apenas alguns não tenham percebido” que este plano de estudos de viabilidade económica em sete linhas do metro do Grande Porto, pensado “para unir e não para dividir”, “traz novas oportunidades para lutar por mais”. O também presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia deixou ainda um reparo à “cegueira partidária” responsável pela contestação.

Além das expansões das linhas, o Metro do Porto quer incluir as opções de metrobus, que, garante a empresa, não vai ser “o parente pobre” nesta situação. O novo transporte está perspectivado como uma “solução moderna e pouco intrusiva” adequado a territórios onde o custo mais elevado que a construção de infra-estruturas do metro sobre carris exige não se justifica.

O protocolo, a que o PÚBLICO teve acesso, contempla a realização de estudos de procura e viabilidade em sete rotas, entre as quais uma ligação da Casa da Música a Santo Ovídio com passagem pelas Devesas, um trajecto de Campanhã a Souto com desvio em Valbom e um percurso entre o ISMAI e a Trofa. Os 860 milhões de euros do PNI devem ser aplicados entre 2021 e 2030.

Texto editado por Ana Fernandes