Lábios grossos e orelhas de macaco: Escola nova-iorquina pede desculpa depois de desfile alegadamente racista

As modelos utilizaram acessórios que foram vistos como uma caricatura dos afro-americanos. Escola confessa que não se apercebeu que a escolha podia ser polémica.

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Uma das modelos recusou-se a usar os acessórios Bennett Raglin/GettyImages
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O Instituto de Tecnologia da Moda acredita que os acessórios não tiveram a intenção de ser ofensivos Bennett Raglin/GettyImages

Durante a Semana da Moda de Nova Iorque, o Instituto de Tecnologia da Moda apresentou um desfile que se tornou controverso. As modelos desfilaram com orelhas, lábios e sobrancelhas postiças. Os acessórios foram acusados de racistas. Agora, a escola nova-iorquina pede desculpa e garante que vai investigar a situação.

Estavam mais de 100 pessoas a assistir ao desfile dos alunos do Instituto de Tecnologia da Moda. As modelos que surgiram na passerelle surpreenderam a plateia pelos acessórios irreverentes. Mas, os lábios postiços exagerados ou as orelhas de “macaco” foram vistos como ofensas caricaturais aos negros.

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Os acessórios foram acusados de ofensivos BENNETT RAGLIN/GettyImages

Uma das modelos recusou-se a usar tais acessórios e desfilou sem eles. “Eu estava lá pronta e disse ao staff que me sentia extremamente desconfortável ao ter de usar aqueles acessórios claramente racistas”, conta Amy Lefévre ao New York Post. A modelo desabafa ainda que lhe disseram que o desconforto “só ia durar 45 segundos”. Mesmo assim, Lefévre recusou-se e desfilou sem quaisquer acessórios.

A presidente do Instituto de Tecnologia da Moda da Universidade Estadual de Nova Iorque, Joyce Brown emitiu um comunicado no Instagram sobre o tema. ” Não parece que a intenção do design e do uso dos acessórios por parte da direcção criativa do desfile tenha sido fazer uma afirmação sobre raça. No entanto, é agora óbvio que esse foi o resultado. Por isso, pedimos desculpa”, escreveu Brown.

O Instituto de Tecnologia da Moda reconhece ainda que poderá ter “falhado em reconhecer que esta afirmação criativa poderia ter consequências negativas”. Nas redes sociais, multiplicam-se os comentários ao comunicado de Joyce Brown. “Continuo sem perceber como é que isto passou por tantos membros da equipa, professores e outros estudantes. É honestamente chocante vindo de uma escola que apregoa a diversidade e a inclusão”, escreveu uma utilizadora. Outros acusam-na de pedir desculpa a quem ficou ofendido, mas sem perceber a gravidade da situação.

Não é a primeira vez que a indústria da moda é acusada de racismo. Recorde-se, por exemplo, em finais de 2018, a Prada foi acusada promover o racismo graças a uma montra repleta de bonecos negros em jeito de caricatura e com traços de macacos. A reacção foi tal que a empresa rapidamente retirou os objectos. No mesmo ano, a H&M partilhou uma fotografia que mostrava uma criança negra com um hoodie verde onde se podia ler “Coolest monkey in the jungle”, em português “O macaco mais fixe da selva”.

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