TAP diz que vai “parar de investir” e “de crescer” por causa da Portela

Presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves, diz que os constrangimentos na infra-estrutura gerida pela ANA/Vinci impedem a empresa de crescer e que voltaram a penalizar exercício de 2019.

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Rui Gaudêncio

Está a ser construída uma nova saída rápida no aeroporto da Portela, e um novo sistema vai permitir gerir melhor o espaço aéreo por parte da NAV, a que se junta uma menor ocupação por parte da Força Aérea. No entanto, a TAP diz que isso está longe de ser suficiente, com o seu presidente executivo, Antonoaldo Neves, a tecer duras críticas à infra-estrutura gerida pela ANA, pressionando assim a empresa do grupo francês Vinci.

Na conferência de apresentação de resultados (o grupco teve um prejuízo de 105,6 milhões de euros em 2019), o gestor dedicou grande parte do tempo a apresentar as razões do seu descontentamento, sublinhando que, se nada mudar, a empresa “vai parar de investir” em novos aviões e contratações. “A TAP”, disse, “tomou a decisão de parar de crescer”, tendo em conta o actual contexto.

Sobre a saída rápida que está a ser construída, o gestor afirmou que esta deverá ter apenas 20% “de utilização esperada por parte dos aviões da TAP”, devido à sua concepção e ao facto de vários aviões da sua frota terem um peso que não os permite usar esse percurso. A transportadora diz ainda que o seu departamento identificou um “risco de conflito de tráfego” entre “duas aeronaves em aterragens sucessivas”.

Uma outra saída rápida, proposta pela TAP, não tem ainda, diz a empresa, uma data prevista para o início da obra. A transportadora destaca ainda a necessidade de prolongar o taxiway (a faixa através da qual o avião vai para o terminal, por exemplo) e construir novos estacionamentos – o que implica fechar a pista secundária, que daria melhorias na pontualidade da empresa.

Para este Verão, referiu o gestor, a TAP já foi penalizada, ao não receber a necessária autorização para 1500 novos voos (designados de slots) e respectivos passageiros, depois de ter pedido 9075. “Pedimos poucos porque sabemos das limitações” do Aeroporto Humberto Delgado, referiu. De acordo com os dados da empresa, o aumento de slots pedidos pela TAP foi de 12%, inferior ao dos concorrentes (neste caso, o número disponibilizado foi agregado). A TAP lidera de forma destacada o ranking dos movimentos na Portela, com os dados do quarto trimestre de 2019 a atribuírem-lhe uma quota de 55%, seguindo-se a Ryanair com 9%.

“Não sabemos quando é que vai haver o taxiway, como é que posso ter um planeamento estratégico se [depois] não vou ter slots?”, questionou. “Tenho de ficar indignado, não posso aceitar isso”, sublinhou o gestor. “De nada serve investir” na melhoria do espaço aéreo, acrescentou, se depois a infra-estrutura não tem em terra as condições necessárias para o crescimento.

No caso do fecho da pista secundária, de acordo com o regulador da aviação civil, a ANAC, o processo para o encerramento da pista foi entregue pela ANA no final de Novembro.

Segundo já afirmou ao PÚBLICO fonte oficial do regulador, a ANAC está a verificar se está tudo “completo e instruído de acordo com a legislação e requisitos em vigor”. “Este processo configura uma alteração das bases de certificação do aeroporto, constitui uma obra de relevo, pelo que a ANAC terá de analisar com profundidade”, acrescentou a mesma fonte.

De acordo com a estimativa da TAP, o investimento para todas as melhorias que considera necessárias na Portela não ultrapassaria os 80 milhões de euros, que seriam rapidamente recuperados.

Na apresentação dos resultados, Antonoaldo Neves destacou que a empresa teve um custo de 35 milhões de euros ligado à compensação de passageiros por causa das ineficiências da infra-estrutura da Portela.