Torne-se perito

Fenómeno Evenepoel é o novo líder da Volta ao Algarve

O jovem belga venceu a segunda etapa da prova portuguesa e assumiu a liderança da classificação. A subida à Fóia não fez, porém, grandes diferenças entre os favoritos ao triunfo final.

O pelotão na primeira etapa da Volta ao Algarve
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O pelotão na primeira etapa da Volta ao Algarve LUÍS FORRA

Quando Remco Evenepoel ataca, poucos têm algo a contrapor como resposta. A premissa voltou a verificar-se, nesta quarta-feira, com o jovem belga, de 20 anos, para muitos a next big thing do ciclismo mundial (comparado a Eddie Merckx), a vencer no Alto da Fóia, na segunda etapa – a mais dura da prova –, e a assumir a camisola amarela da Volta ao Algarve. Rui Costa, para quem a equipa Emirates muito trabalhou durante o dia, chegou em quarto – posição que também ocupa na classificação geral.

Nesta segunda etapa, tal como na primeira, a fuga do dia formou-se rapidamente. Depois de uma primeira tentativa falhada por parte de três ciclistas, outros três tentaram a sorte. E tiveram-na. Miichael Schar (CCC Team), Casper Pedersen (Team Sunweb) e Dries de Bondt (Alpecin-Fenix) isolaram-se e ganharam cerca de dois minutos e meio de vantagem para o pelotão.

A W52-FC Porto controlou o pelotão durante grande parte da tirada, numa demonstração de força da equipa portuguesa, mas foi quando as equipas World Tour entraram ao serviço que a fuga começou a sentir dificuldades.

O trabalho da Emirates (sobretudo de Dombrowski) – a preparar terreno para Rui Costa – rapidamente anulou a fuga, a cerca de 20 quilómetros do final, pouco antes de João Rodrigues, vencedor da última Volta a Portugal, ter um problema mecânico na bicicleta.

Com a Emirates a impor um ritmo forte e com a estrada inclinada, o ciclista português não conseguiu recolar ao pelotão, ficando a W52-FC Porto sem um dos seus principais homens para o dia de hoje – o outro, Amaro Antunes, manteve-se na frente. Ainda assim, a equipa portuguesa ficou limitada nas intenções, não podendo “jogar” com a vantagem de ter um duo na cabeça da corrida.

Tudo deixado para a subida ao Alto da Fóia, com a Astana (que tinha vários ciclistas na frente) a ser a primeira equipa a atacar esta escalada. Os ataques da equipa cazaque, conjugados com o ritmo sempre forte da Emirates, reduziram muito o grupo.

Com o terreno bem preparado, atacou, como se esperava, Miguel Ángel López – um dos trepadores que não pode esperar pelo contra-relógio da última etapa –, com resposta de Rui Costa e João Almeida, jovem português da Quick-Step, na posição de gregário do chefe-de-fila Remco Evenepoel.

No último quilómetro da etapa atacou Evenepoel e, como costuma acontecer quando o jovem belga decide atacar, ninguém mais teve pernas. O alemão Schachmann (grande candidato ao triunfo) cortou a meta em segundo, Dan Martin em terceiro e Rui Costa em quarto - o português não teve reacção ao ataque de Evenepoel, mas continua bem colocado na classificação geral.

Nota, ainda, para a demonstração de maturidade do jovem Evenepoel, que soube quando (não) ir ao choque, escolhendo bem a que ataques deveria responder e quando deveria fazer o golpe final. Se Evenepoel mantiver a liderança após a etapa do Alto do Malhão (sábado), o contra-relógio final deverá servir para a consagração do belga, um dos melhores do mundo no “crono”.

Nesta sexta-feira, a terceira etapa deverá trazer chegada ao sprint, em Tavira, depois da partida em Faro. Fabio Jakobsen, vencedor da primeira etapa, anunciou, logo após o triunfo, que este terceiro dia de Volta ao Algarve está nos seus planos – e da fortíssima Quick-Step, que dificilmente deixará de assegurar um final ao sprint.

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