Dissidentes norte-coreanos lançam partido político no Sul

Querem ser ouvidos e criticam Seul por não lhes dar voz.

Refugiados norte-coreanos no lançamento do partido pró-unificação
Foto
Refugiados norte-coreanos no lançamento do partido pró-unificação Reuters

Um grupo norte-coreanos lançaram na terça-feira um partido político na Coreia do Sul, com o objectivo de darem voz aos 35 mil refugiados que se opõem ao regime de Pyongyang e defendem a unificação da península.

“Sempre fomos considerados estrangeiros e uma minoria”, disse Kim Joo-il, secretário-geral do novo Partido da Unificação Sul-Norte, que foi lançado em Seul. “Os desertores norte-coreanos são agora o futuro da unificação”.

A decisão de criar o partido é um sinal de que os dissidentes estão à procura de um maior papel político antes das eleições legislativas de Abril. Muitos criticam o Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, acusando o seu governo de marginalizar os norte-coreanos e de ignorar os seus direitos na tentativa de normaliza as relações com o Norte de Kim Jong-un.

No lançamento do partido, os norte-coreanos disseram que o Governo sul-coreano lhes presta pouco apoio. Num caso no ano passado, dois norte-coreanos foram repatriados e uma refugiada com um filho de seis anos a quem foi negado apoio social foi encontrada morta de fome num apartamento em Seul.

Tecnicamente, a Coreia do Sul está em guerra com o Norte devido à guerra travada entre 1950-53 que terminou com um armistício e não com um tratado de paz. A unificação é um objectivo do Sul, mas é vista como um objectivo cada vez mais distante.

Kim Shin-ye, de 38 anos, uma das participantes, disse que as críticas feitas a Kim durante o lançamento do partido - uma pessoa chamou “leitão” ao líder norte-coreano - podem levar alguns dissidentes a recearem retaliações contra os familiares que ficaram na Coreia do Norte.

“Alguns dos que têm lá família estão um bocado preocupados com a repercussão da criação do partido”, disse Kim.

Mais de mil norte-coreanos fugiram para a o Sul em 2019, segundo o Ministério da Reunificação.

“Aquilo de que Kim Jong-un tem mais medo é que os dissidentes norte-coreanos recuperem a dignidade”, disse o deputado Kim Yong-tae durante a cerimónia.

Sugerir correcção