Coronavírus põe mercado de aviação da China atrás do português

O mercado de aviação da China desceu do terceiro para o 25º lugar num ranking da OAG Aviation. “Nenhuma outra ocorrência teve um efeito tão devastador na indústria de aviação como esta epidemia.”

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No período entre 20 de Janeiro e 17 de Fevereiro, a capacidade em voos de transportadoras mundiais ficou pelos 20%. ALY SONG/REUTERS

O mercado de aviação chinês, que prometia ultrapassar o norte-americano ainda esta década e tornar-se o maior do mundo, caiu da terceira posição para a 25ª num ranking da OAG Aviation, empresa fornecedora de dados sobre viagens, ficando atrás de Portugal, avança a Bloomberg. A causa desta queda é o surto de Covid-19, que levou ao cancelamento de milhares de voos.

As companhias aéreas tiveram de reduzir o número de voos devido à epidemia, com epicentro na província de Hubei. Cerca de 1,7 milhões de lugares – quase 80% da capacidade total – foram eliminados em voos de transportadoras mundiais, entre 20 de Janeiro e 17 de Fevereiro. Paralelamente, as transportadoras chinesas cortaram mais de dez milhões de lugares de voos domésticos.

“Nenhuma outra ocorrência, de que nos lembremos, teve um efeito tão devastador na indústria de aviação como esta epidemia”, escreveu o analista sénior da OAG, John Grant. “Isto vem ressaltar a importância do mercado chinês na aviação e a rápida globalização dos serviços aéreos, com a emergência de novos mercados e viajantes.”

Muitas transportadoras suspenderam voos para a China numa tentativa de contenção do vírus, que já matou quase 1900 pessoas na China e infectou mais de 72 mil. O número total de lugares da China para Hong Kong e Taiwan diminuiu em 250 mil, em cinco semanas, e a capacidade das três principais companhias aéreas chinesas caiu entre 80% e 90%.

Devido aos cortes, a China Southern Airlines tem feito apenas mais 800 lugares em serviços internacionais do que a Air Astana do Cazaquistão, enquanto a China Eastern Airlines  surge quase em igualdade com a Tunis Air (da Tunísia). Ambas as companhias chinesas reduziram a sua capacidade em quase 200 mil lugares por semana.

“Os danos para algumas companhias e o impacte a longo termo que esta situação terá no seu crescimento poderá perdurar até muito depois da epidemia”, diz Grant.

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