Bruno Lage: “Liga Europa ou I Liga? Se respondo, o presidente despede-me”

O treinador do Benfica tomou ainda posição sobre o “caso Marega”.

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Lage na antevisão do jogo da Liga Europa. LUSA/SERGEY DOLZHENKO

Questionado sobre se preferiria vencer a Liga portuguesa ou a Liga Europa, Bruno Lage, treinador do Benfica, evitou comprometer-se. “Não posso ganhar os dois? Só um? Se eu responder uma ou outra, amanhã o presidente põe-me fora do clube”, respondeu, com humor, nesta quarta-feira, na antevisão do jogo frente ao Shakhtar Donetsk, da Liga Europa (quinta-feira, 17h55).

Os problemas defensivos do Benfica são evidentes e comprovados pelos registos dos últimos jogos, mas, inquirido sobre o motivo desta permeabilidade defensiva, Lage optou por não justificar o problema, embora o reconheça. “Não podemos esconder essa situação [golos sofridos]. É um problema perfeitamente identificado e vamos trabalhar, trabalhar, trabalhar. É essa a nossa filosofia”, apontou.

Acerca do período negativo em termos de resultados, Lage apontou à liderança da Liga, que ainda pertence ao Benfica. “Período mais difícil como treinador do Benfica? Não. Demorámos um ano para que este mau momento chegasse. Problemas e pressão são oportunidades. A equipa vem de dois jogos sem vencer e perdeu seis pontos, mas continua em primeiro. Não me lembro de alguma vez o Benfica ter perdido seis pontos e ter continuado em primeiro”.

O técnico “encarnado” recusou ainda prometer uma candidatura à conquista da Liga Europa, por ainda estar numa fase prematura da prova, e aproveitou para desvalorizar o peso desta prova no calendário. “O jogo de segunda-feira [Gil Vicente] não condiciona por dois motivos: primeiro, porque estamos na liderança do campeonato e dependemos só de nós. Segundo, porque, com quatro dias de intervalo, os jogadores vão estar disponíveis. Este é o tempo de intervalo perfeito para se jogar. Jogando quinta e segunda-feira não há inconveniente a nível físico”, argumentou.

Caso Marega

Sobre o caso de racismo a envolver o portista Moussa Marega, Bruno Lage tomou uma posição pública. “Não é apenas racismo, é civismo. Há tanta gente que gosta de futebol e depois alguns de nós andam no futebol e só o prejudicam. Temos de olhar para isto com um sentido de responsabilidade tremendo. Achamos normal e natural um estádio cheio chamar nomes a um árbitro ou treinador e nunca pensámos nisso. Este caso de racismo não é único, há um passado, e juntos, seremos mais fortes. Temos um poder mais forte do que pensamos para transmitir bons valores. Um treinador entrar e ter 20 ou 30 mil pessoas a dizer que ele é um gajo porreiro – e não é nada disto que dizem – não pode ser normal”.

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